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Terça-feira, Julho 5, 2022

Putos hiperactivos o caraças!

João Vasco AlmeidaPutos hiperactivos. “Ai ai ai, que os meninos correm e se sujam e não estão quietos”. Para estes pais, mais valia terem comprado um dálmata de porcelana. Esse nem se mexe e comprimidos só pelo orifício do molde.

Há notícia, esta segunda-feira, que enfiámos no goto das crianças portuguesas cinco milhões de comprimidos para os acalmar. Cinco milhões é um número grande. Cinco milhões implica, dividindo a coisa pelos dias, 143 mil crianças a emborrachar xanax ou valium, desde que nascem.

Estamos é parvos, permitam.

As crianças são hiperactivas(!) comparadas com os adultos. São. Nenhum de nós chega a casa, abre os braços e começa a rodopiar sobre si mesmo umas 14 vezes para a esquerda e depois 12 vezes para a direita, a distorcer. Nenhum de nós salta em cima da cama durante dez minutos e depois solta um “ai” cheio de prazer. Nenhum de nós passa o jantar a bater a perna e a dar com o garfo na borda do prato, como se estivesse a rebater o sino da aldeia por causa da invasão francesa.

Deve ser isto a que os pais que não queriam ser pais chamam hiperactividade.

Quando éramos putos tínhamos a rua toda para brincar e uma escola mais ou menos livre. Tínhamos que ir ao pão e ao leite, da vaca ou da UCAL. Tínhamos que arranjar a corrente da bicicleta e saltar pela relva ao fim da tarde, nos jardins ou no campo. Deixávamos ali a energia e a adrenalina toda.

Hoje, os putos estão trancados em casa e nas escolas. Em casa com computadores, tabletes, telemóveis, consolas. Rabo sentado durante horas, sem gastar um pingo das hormonas que os põem vivos. Na escola, há um apelo à “normalização” das crianças.

Mais uma criança a comprimidos...
Mais uma criança a comprimidos…

A escola deixou de ser um lugar de liberdade e pensamento. Os bons professores rareiam, os maus dominam por serem os mais adaptados ao burocrático calvário em que se transformou o ensino.

Nem os professores, na maioria, gostam verdadeiramente do que fazem nem as crianças se sentem livres e enquadradas.

Não há hiperactividade que justifique que 143 mil portugueses até aos 14 anos andem a comprimidos. São cerca de dez por cento da nossa população nesta faixa etária.

Não se acredita nisto. Os pais que se mexam, percebam a infância e a juventude, comecem a responsabilizar-se pelas crianças em vez de os empurrar para os avós, os colégios, as amas. E, chegados aos 13 anos, os pais que falem com os filhos sobre a masturbação. Poupará muito valium e é mais, vá, vegan, que nenhum animal se aleija.

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