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Sexta-feira, Agosto 19, 2022

Quando a burrice tenta se impor

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Desde que assumiu a Presidência em 1º de janeiro, Jair Bolsonaro luta para destruir o que de melhor temos em nossa cultura: a diversidade. O mais recente arbítrio foi a proibição do filme “A Vida Invisível”, de Karin Aïnouz. Isso mostra o terror que os ultraconservadores sentem ao se depararem com obras inteligentes, que levam o público a refletir sobre a vida e o que se quer para o futuro.

Aïnouz respondeu por suas redes sociais afirmando que “não há meias-palavras para a censura — velada ou não — e para o aniquilamento da cultura. Não há meias-palavras para um governo do ódio, do boicote, do desmonte e da morte. Não há meias-palavras para uma política covarde que tenta se escorar na própria incapacidade e ignorância. Não há meias-palavras para a desinformação deliberada e a mentira como tática de um governo irresponsável que se agarra nas beiras de tudo que é falso.”

A resposta dos artistas ecoam por todos os cantos do país. Fernanda Montenegro critica com veemência a censura imposta por um governo que se contrapõe a tudo o que possa elevar o nível de conhecimento e pensamento crítico das pessoas.

“Sem cultura não há educação e sem educação não há cultura. Eu não entendo o que está acontecendo com este país, com tantos xingamentos. Não há explicação. É uma nova moralidade que condena qualquer estrutura contrária ao seu Deus”, condena a maior atriz brasileira.

Referindo-se aos sucessivos ataques à produção cinematográfica nacional, que impede até o momento a exibição do filme “Marighela”, de Wagner Moura. E corta financiamentos de obras com temáticas LGBT e sobre a nossa negritude.

André Fischer, presidente e fundador do Festival Mix Brasil – o mais importante de temática LGBT do país -, se contrapõe aos cortes feitos pelos bolsonaristas na edição do festival deste ano. “O que perdemos foi só dinheiro”, diz.  Porém, “tivemos uma mobilização muito maior, foi a edição com a maior ocupação de salas que a gente já teve e, sem dúvida nenhuma, foi o mais politizado.”

Certamente os filmes que o presidente tem em sua cabeça são os produzidos pela Rede Record de televisão de cunho evangélico-doutrinador, sem nenhuma conexão o com a verdade dos fatos ou com a realidade.

O governo Bolsonaro segue a trilha de grupos como o Estado Islâmico para quem só existe uma cultura possível: a deles. E para se impor destroem a história de outros povos, outras culturas e matam quem pensa diferente.

Mas, “a mesma Alemanha que gerou Hitler para a destruição da humanidade, produziu seu antídoto sintetizado pelo filósofo que não veio para interpretar, mas para transformar o mundo (Karl Marx) e no campo da cultura, pelo genial Eugen Bertholt Friedrich Brecht”, diz José Levino.

Por que a cultura assusta tanto aos conservadores?

Certamente porque exalta a liberdade, a diversidade, o pensamento crítico e os ultraconservadores agem para aniquilar qualquer pensamento que não seja um beija-mão de seus mitos ignorantes e, portanto, farsantes.

Um dos mais importantes cantores e compositores brasileiros, Gilberto Gil postou em seu Twitter que “a arte ilumina, é para ser compartilhada, faz crescer. Por isso, mete medo.” O medo que todo conservador tem de perder o controle da sociedade.

Se levarmos em conta o conceito de cultura do inglês Edward Tylor, para quem a cultura é o conjunto de conhecimentos, crenças, arte, moral, leis e costumes de uma sociedade, vemos que os ataques bolsonaristas são para destruir a vida pensante do país para criarem um exército de robôs, muito afeitos aos dogmas dos fundamentalistas religiosos e nazistas.

Tentam impor a burrice como a cultura de um povo que tenta sobreviver a qualquer custo em meio à miséria, abandono do Estado e balas quase perdidas nas favelas. Mas como afirma a nonagenário atriz Fernando Montenegro, “nós somos imorredouros. Nós sobrevivemos uma vez. Desta vez, é uma forma assassina.”


Texto em português do Brasil


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