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Quarta-feira, Julho 6, 2022

Reconstrução e repovoamento das Zonas Libertadas do Sahara Ocidental

Isabel Lourenço
Isabel Lourenço
Observadora Internacional e colaboradora de porunsaharalibre.org

Novo impulso no conflito do Sahara Ocidental

A República Árabe Saharaui Democrática decidiu reconstruir e repovoar as Zonas Libertadas do seu território que se estendem desde a Argélia à Mauritânia e ao longo do muro militar de separação construído por Marrocos que forma uma barreira de acesso aos territórios ocupados

A República Árabe Saharaui Democrática (RASD) decidiu reconstruir e repovoar as Zonas Libertadas do seu território que se estendem desde a Argélia à Mauritânia e ao longo do muro militar de separação construído por Marrocos que forma uma barreira de acesso aos territórios ocupados. Uma decisão que pode levar a uma mudança profunda no conflito do Sahara Ocidental uma vez que os territórios libertados têm acesso ao atlântico e a sua reconstrução e repovoamento abrem portas a actividades económicas e a uma mudança demográfica.

Salem Lebsir, ministro saharaui para a reconstrução e repovoamento das zonas libertadas iniciou uma visita pelas regiões libertadas acompanhado por uma numerosa delegação. Brahim Ghali presidente da RASD e Secretario Geral da Frente Polisario anunciou o plano de repovoamento e reconstrução no fim de semana passado afirmando que o objectivo é a construção de infraestruturas nos territórios libertados que possibilitem o reforço e consolidação da soberania dos saharauis sobre o seu território.

A nossa presença nas regiões que libertámos é valiosa e um desafio a todas as dificuldades e ambições do inimigo. Isto obriga-nos a dar passos decisivos e a tomar iniciativas na reconstrução de outras regiões do Estado saharaui”

Esta medida foi uma das principais recomendações do XV congresso da Frente Polisario em Dezembro de 2019.

A capital provisória da RASD é Bir Lehlu, uma vez que a capital do Sahara Ocidental a cidade El Aaiun se encontra sob ocupação marroquina desde 1975. Foi em Bir Lehlu que se iniciaram uma serie de reuniões com os responsáveis dos municípios e militares para avaliar as necessidades, estabelecer prioridades e recolher propostas.

Mohamed Zrug, delegado da Frente Polisario na Andalucia explicou à agência espanhola EFE que  se pretende por um lado, a consolidação da soberania saharaui nos territórios libertado, ou seja, mais e melhor presença administrativa da RASD, e por outro lado realizar esforços concretos para dignificar a vida do povo saharaui: ou seja, mais e melhores serviços sociais para a população nos territórios libertados.

Zrug afirma que este plano tem uma leitura política clara e que o bloqueio existente que desde o exterior  se opõe a uma solução justa e lícita para a conflito  saharaui e existe um claro conluio de certos países com a Política marroquina de ignorar a solução. “ Os saharauis têm o direito de apostar em soluções que não ponham em risco o seu futuro ”, acrescentou Zrug á EFE.

Na sua opinião esta é outra forma de resistência e “este compromisso de construir o futuro na parte libertada do nosso país, de norte a sul, é uma abordagem, uma saída que todos devem apoiar, porque significa que os saharauis olham para o futuro, têm esperança na liberdade. É uma aposta de paz.”.

15 organizações não governamentais, na sua maioria espanholas já declaram o seu apoio a este projecto.

 

Consequências politicas

A RASD é reconhecida por mais de 80 países a nível mundial e membro fundador da União Africana. A frente Polisario, o movimento de libertação nacional saharaui é o representante legitimo do povo saharaui nas Nações Unidas. Ao decidirem desta forma consolidar as fronteiras e presença nos territórios libertados um novo impulso é dado na arena politica. Mais, o facto dos territórios libertados incluírem o acesso ao atlântico na pequena localidade de La Guera poderá impulsionar num futuro novas actividades produtivas.

O impasse deliberado por parte de Marrocos  na resolução do conflito que deveria ter terminado em 1991 com a celebração do referendo de autodeterminação que foi a base do acordo de cessar fogo quando a Polisario estava a ganhar a guerra, é agora posto em evidência com esta decisão.

Lembramos que Marrocos anunciou a construção de uma via férrea que iria até aos territórios libertas na zona tampão de El Guergarat e perto de La Guera, com o reforço e repovoamento por parte dos saharauis esse projecto (ilegal e contrário ao direito internacional) já não se apresenta de fácil concretização.

A ampliação da presença da RASD nos territórios libertados e reforço das infraestruturas poderá levar inclusive a um novo olhar por parte da comunidade internacional sobre o conflito.

Também o narcotráfico marroquino que se tem intensificado nos últimos anos, atravessando os territórios libertados e a zona tampão será assim mais facilmente detectado e impedido aumentando ainda mais as apreensões e destruição de droga por parte das autoridades saharauis.



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