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Sábado, Setembro 18, 2021

Salvo por médicos angolanos e cubanos do Centro Policlínico Universitário de Luanda

M. Azancot de Menezes
PhD em Educação / Universidade de Lisboa

No dia 24/03/2021 dei entrada na Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Policlínico Universitário de Luanda. Apresentava um quadro de febre muito preocupante (40 º), estava em estado de choque, tinha hipotensão severa e alteração do nível de consciência.

A equipa médica constituída por especialistas cubanos e angolanos depressa reconheceu que qualquer má decisão poderia ter-me conduzido à morte e foi mesmo por pouco que não perdi a vida. Médicos, enfermeiros, analistas de laboratório e técnicos de imagiologia do Centro Policlínico Universitário (CEPOU) da Maianga/Luanda rapidamente iniciaram exames médicos.

Fui submetido a uma bateria de exames: hemograma, gota espessa, bilirrubinas, TGO, TGP, GGT (Gama Glutamil Transferase), radiografias do tórax, eco-cardiograma abdominal, análises ao sangue e urina, teste de Covid-19 (resultado negativo), entre outros.

Em pouco tempo, o diagnóstico elaborado pelo especialista cubano Dr. Sérgio Santa Maria foi inequívoco: tinha uma malária muito complicada com disfunções de órgãos e fui sujeito a tratamento antimalárico, antipirético e reposição volémica vigorosa.

 

A qualidade da assistência médico-hospitalar do Centro Policlínico Universitário

O conceito de qualidade de qualquer unidade hospitalar, seja ela pública ou privada, discute-se sob diferentes perspectivas. Com as considerações que se seguem não pretendo entrar em debate sobre a qualidade dos serviços de saúde públicos e privados em Angola, sendo certo, sabemos todos nós, há bons, menos bons e maus serviços.

Num gesto de agradecimento e reconhecimento, tão somente, pretendo com elementar justiça testemunhar a qualidade excelente da assistência médico-hospitalar do Centro Policlínico Universitário de Luanda, aberto recentemente (Governo inaugura Centro Policlínico Universitário da UPRA em Luanda), a funcionar na Rua Kiripande, 1ª Travessa, Nº 7, Maianga – Luanda.

Segundo Uriel Zanon (2000) a qualidade da assistência médico-hospitalar é definida com base em determinados critérios:

  • Diagnóstico definitivo da doença que levou o paciente ao hospital;
  • Tratamento actualizado e comprovadamente eficaz, aceite pelo paciente ou familiar responsável;
  • Assistência de enfermagem capaz de cumprir fielmente a prescrição médica e assegurar ao paciente atenção, carinho e respeito;
  • Internação isenta, ou com um mínimo de intercorrências infecciosas e não-infecciosas;
  • Atendimento dessas condições por um preço menos que o do concorrente.

Ao basear-me nos critérios estabelecidos por Zanon (2000) e em mais meia dúzia de indicadores hospitalares,  a minha grande satisfação enquanto paciente que esteve à beira da morte é indiscutível, quer pelo atendimento da Administração, quer pela avaliação da produtividade clínica, quer pela avaliação da produtividade da equipa.

Após ter estado 3 (três) dias na Unidade de Cuidados Intensivos, os restantes três dias passados na Ala da Enfermaria foram igualmente determinantes para comprovar a qualidade na assistência de enfermagem porque os enfermeiros observavam-me, não só com o foco na doença mas também na forma biopsicossocial e espiritual.

A confiança, a capacidade de resposta, a comunicação, a credibilidade, a segurança, a competência, a cortesia e o conhecimento são algumas das palavras-chave que ajudam a descrever o que senti durante os seis dias em que passei internado no Centro Policlínico Universitário de Luanda.

Um dos médicos especialistas cubanos que integrou a equipa, após ter desabafado com a frase “pregou-nos um grande susto”, não escondeu a sua satisfação e pediu que houvesse um registo fotográfico para a história, para a nossa história, em que fui salvo da morte por excelentes médicos angolanos e cubanos do Centro Policlínico Universitário de Luanda.

Ao Dr. Manuel João Fonseca, a toda a equipa de médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório e de imagiologia apresento o meu profundo agradecimento e reconhecimento pelo apoio, por me terem salvo a vida e pela forma como fui tratado em todos os momentos durante o internamento.

Salvei-me por mérito indiscutível dos especialistas cubanos e angolanos que me deram assistência médica de excelência e aqui fica o meu registo de gratidão pela qualidade dos serviços prestados no Centro Policlínico Universitário de Luanda.


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