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Segunda-feira, Julho 15, 2024

Segunda Volta nas ‘Presidenciais’ É Imprescindível

José Mateus
José Mateus
Analista e conferencista de Geo-estratégia e Inteligência Económica

José MateusFeita em cima do Natal e do Ano Novo e após um período político crítico e a dramatizada campanha das “legislativas”, a campanha presidencial não correspondeu ao que dela se esperava, não permitiu aos candidatos protagonizar ideias diferenciadas para o País que (ainda) somos e não mobilizou a atenção dos cidadãos. Foi uma campanha de “chazinho”, graçolas e copos de vinho. Uma coisa morna, que não aqueceu nem arrefeceu.

A Presidência da República é, porém, demasiado importante, no nosso sistema constitucional (como o tempo de Cavaco bem provou pela negativa). Demasiado importante para que o Palácio de Belém seja entregue a um qualquer “engraçado” (ou uma…) calceteiro ou entertainer.
A Presidência não tem (e se deveria ter é outra discussão…) poder executivo, ao contrário do que se passa em França, na Rússia ou nos Estados Unidos, por exemplo. Mas é a “pedra de fecho” da nossa arquitectura constitucional. Em tempo de graves crises globais e de violentas tempestades geopolíticas, o Presidente é a “ultima ratio” do nosso sistema e o nosso “fecho de segurança”.

O assunto é, portanto, demasiado grave para ser decidido em cima do joelho, após uma não-campanha. Demasiado grave para ter um desfecho tipo “teatro de boulevard” com a escolha de um Beppe Grillo à portuguesa, ou seja, engravatado, “sério” e, claro, sem a graça do palhaço italiano. Mas a merecer o mesmo grau de confiança política: zero!

O interesse nacional exige que, passadas estas três folclóricas semanas de Janeiro, a campanha presidencial possa prosseguir mas já a sério. Sem “chazinho”, graçolas e copos de vinho. Mas com discussão das ideias para Portugal que (admite-se…) os candidatos possam ter ou, entretanto, possam ter arranjado.

Uma vitória já no dia 24, ao fim de três semanas de vazias passeatas, não traria ao Presidente uma legitimidade com a espessura necessária para que ele assentasse bem os pés… Ele poderia ter vencido mas teria falhado no convencer. E a sua eleição falharia assim o objectivo essencial de unir os Portugueses (única razão para a sua eleição por voto directo e universal) e, bem pelo contrário, fracturaria gravemente o País.

Para evitar esse desastre, é necessária uma segunda volta.

 

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