Diário
Director

Independente
João de Sousa

Sexta-feira, Junho 14, 2024

Sem emergência cultural, a arte que a humanidade tanto precisa sobreviverá à pandemia?

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Dando continuidade às reportagens sobre a importância de aprovação da Lei de Emergência Cultural para distribuição de verbas para organizações culturais. Os relatos sobre as agruras enfrentadas por quem vive da arte neste momento tão crucial para a vida mexe com todo mundo.

Para Ronaldo Leite, secretário de Formação e Cultura da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, “aprovar a Lei de Emergência Cultural é uma imposição porque não há vida sem cultura e se as trabalhadoras e trabalhadores desse setor não tiverem como sobreviver, o que será de nós, o que será do país?”

A situação é tão terrível que “não sei quando os músicos poderão retornar ao trabalho”, informa Luna Messina, presidenta do Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro. “Lives são um quebra galho momentâneo para os artistas que têm essa possibilidade”. Isso porque para “o músico que não tem carreira solo, o músico acompanhador, a situação está beirando a calamidade”, complementa. Ela conta que o sindicato dá uma ajuda de R$ 200.

Artistas de todas as áreas sofrem drasticamente com a falta de trabalho e renda, como foi descrito na reportagem “Trabalhadoras e trabalhadores da cultura gritam por socorro e apoiam Lei Emergencial da Cultura”, publicada quinta-feira (21).





A presidenta do SindMusi-RJ aponta os 1.200 músicos da orla do Rio de Janeiro, como exemplo dos transtornos causados pela necessidade do isolamento social. “Eles sobrevivem de tocar na orla, muitos há 20 anos ou mais e agora estão totalmente sem trabalho. A sua renda de R$ 2.000 a R$ 3.000 ficou zero, por isso precisam de apoio para se manter e manter alguma forma de sobrevivência para eles e as suas famílias”.

Toni C., escritor, roteirista, editor e responsável pelo LiteraRua, que aliás mudou de nome para se adaptar à nova situação, agora é LiteraCasa. “Estamos funcionando em esquema especial, home office e mantendo as entregas em dia com equipe reduzida no escritório”, diz.

“No passado, quando fundamos a LiteraRua, estávamos levando o conhecimento, as histórias e a malandragem da rua para dentro dos livros. Agora percebemos que quando não é seguro sair para as ruas, a nossa missão também é levar a rua até você, na segurança de seu lar”, diz texto de apresentação do LiteraCasa, durante o tempo que durar o isolamento social.

 

Artistas pedem aprovação da Lei de Emergência Cultural

A atriz e teatróloga, Lilia Guerra afirma que “ainda tem o suficiente para o arroz e feijão” porque é aposentada como professora de artes e “enquanto estiver recebendo a aposentadoria, me garanto”. Mas tem “muita gente com enormes dificuldades até para conseguir o que comer”.

Quem trabalha com o teatro alternativo, sem empresas patrocinadoras e sem verbas do Estado, alega, “sempre tiveram a vida difícil, mas agora está impossível”, por isso, “é muito importante pressionar o Congresso para a aprovação da Lei de Emergência Cultural (Projeto de Lei 1075/2020)”.

De acordo com ela, “não são somente os artistas que trabalham na cultura, há toda uma cadeia produtiva que envolve um espetáculo de teatro e com os teatros fechados essas pessoas estão passando fome, porque não têm outra forma de sobrevivência”.

O diretor de teatro, Paulo Maeda, explica que “estava dando aulas de dublagem em uma escola antes da quarentena, mas não tem condições de dar essa aula à distância. A diretoria da escola ainda pagou aulas que estavam programadas, mas moro com minha companheira e ela está trabalhando, então estamos nos segurando”.

Pertencente ao Coletivo Ato de Resistência, que estava com o espetáculo “AI-5: Uma Reconstituição Cênica”, desde 2016, afirma conhecer “muitas pessoas em situações muito difíceis”. Maeda assinala a existência de muitos coletivos de teatro em grandes dificuldades e que vêm tentando “se organizar para lutar por seus direitos”.

Donizete Souza lima, o Bonga Mac, artista visual e arte educador, diz estar trabalhando no esquema home office, com o salário reduzido em 50%. “O setor da cultura move muita geração de emprego e renda”, diz ele. “Mesmo as produções autônomas, as ações independentes movimentam muitas pessoas e precisam, neste momento, desse projeto de Lei de Emergência Cultural para passar pela pandemia e retomar seus trabalhos depois”.

 

Veja web conferência sobre a Emergência Cultural

Leite realça a importância da cultura neste momento. “Imagine passar por essa quarentena sem filmes, livros, lives e toda a possibilidade de formas de arte que temos pela internet? ” Ele pede para imaginar também “como seria viver num mundo sem nenhuma arte?” Lógico que “seria impossível”. por isso “pressione os deputados a votarem a favor da Lei de Emergência Cultural e mais ainda pela sanção presidencial”.

Com certeza, “as trabalhadoras e trabalhadores da cultura agradecerão, mas os agredecimentos devem ser nossos por tanta generosidade, solidariedade e vida transmitidas pelos nossos artistas”.


Texto em português do Brasil


Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a Newsletter do Jornal Tornado. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

 

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -