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João de Sousa

Segunda-feira, Outubro 25, 2021

E a Tailândia aqui tão perto

NINM
Colaboração do Núcleo de Investigação Nelson Mandela – Estudos do Humanismo e de Reflexão para a Paz (integrado na área de Ciência das Religiões da U.L.H.T.)

… apesar do destacamento de 40 mil efetivos das forças de segurança e vigência do estado de exceção”.

A notícia é forte e inquietante. Pouco ou nada sabemos disto – e muitos de nós nunca ouviram falar de Pattani, de Naraathiat ou de Yala.

O ser humano alonga-se pouco para lá das suas sombras.

Não há nada que nos surpreenda na longa lista das injustiças humanas – pois que se situam do mesmo lado, querendo ou não parecer que são inéditas, diferentes, ou mais justas. Quando presenciamos um atentado à vida humana, não há relações de escala. Tirar uma vida ou milhões é sempre obra de assassinos.

Como diria o filósofo, estamos cada vez mais prisioneiros de um espaço claustral. Não é o choque das civilizações que nos inquieta, mas a bipolaridade em que caímos: de um lado a Paz e do outro o que a impede. Também não há relativismos, embora assim pareça.

Um atentado em Lisboa, Madrid ou Pequim tem a mesma dimensão de um atentado em Pattani ou em Niamey. O problema, por ventura, há de residir na nossa ignorância eurocêntrica e euro centrada, que nos torna incapazes de reconhecer Pattani como uma das três províncias do sul da Tailândia e Niamey como capital do tão martirizado Níger.

Thai EOD officers examine the wreckage of a pickup truck after a bomb hidden in it was detonated in Saiburi district of Pattani province, southern Thailand Friday, Sept. 21, 2012. Suspected Muslim insurgents have detonated a car bomb in Thailand's violence-prone south, killing five people and wounding a dozen others. (AP Photo/Sumeth Panpetch)

 

Agora é de Pattani que se trata.

Uma guerra de efeito político e sob a capa da religião, uma vez mais, faz correr sangue na Tailândia – e essa é a notícia mais recente da lista negra das notícias aviltantes do mundo: pelo menos uma pessoa morreu e mais de três dezenas ficaram feridas, cinco em estado muito grave (de acordo com informações hospitalares locais) na sequência de um atentado, perpetrado com uma viatura armadilhada, no extremo sul da Tailândia.

O anúncio chegou via polícia local.
Todas as vítimas são tailandesas.

Para quem não sabe, a Tailândia é o 20º país mais populoso do Mundo. Já se chamou Sião e tem uma história forte, dessas que trazem as divergências profundas até aos nossos dias.

Pensa-se que cerca de sete mil pessoas, a maioria civis, morreram no sul da Tailândia desde que o movimento separatista muçulmano retomou a luta armada em 2004. Os (alegadamente) autores deste atentado denunciam a discriminação da maioria budista no país e exigem a criação de um Estado islâmico que integre as três províncias que formavam o antigo sultanato de Pattani, anexado pela Tailândia há um século.

A explosão ocorreu no exterior de um hotel, que ficou “significativamente danificado”, localizado nos subúrbios de Pattani, uma das três províncias do sul de maioria muçulmana a braços com 12 anos de insurgência.

Os historiadores muitas vezes consideram o Reino de Sukhothai como o início da história tailandesa, que se insere na influência do Reino de Ayutthaya, o primeiro a ter contato com o Ocidente, através de uma missão diplomática portuguesa. Ayutthaya teve uma longevidade de 417 anos, chegando ao fim com a guerra birmano-siamesa em 1767. Taksin foi o único rei do reino tailandês de Thonburi e é ainda hoje venerado pelo povo.

Foi ele quem libertou o país, estabelecendo a cidade de Thonburi como capital e enfrentando ameaças de outras nações, o que fez do reino o único no Sudeste asiático a nunca ter sofrido colonização europeia.

No meio de uma revolução, em 1932, o país passou de monarquia absoluta a monarquia constitucional e, em 23 de junho de 1939, deixou de chamar-se Sião e adotou o seu nome atual, Tailândia. No presente, o país é regido por uma junta militar, que tomou o poder em maio de 2014, através de um golpe de Estado.

É liderada pelo rei (e chefe de Estado) Bhumibol Adulyadej, à frente da nação desde 1946, e sendo o mais antigo chefe de Estado do mundo, bem como o monarca com maior reinado na história tailandesa. Aduulyadej, que reina sob o nome de Rama IX, facilitou a transição da Tailândia para a democracia na década de 1990, apesar de ter apoiado alguns regimes militares, como o de Sarit Dhanarajata e, mais recentemente, o Conselho de Segurança Nacional.

Morrem seres humanos todos os dias às mãos de outros que deviam ser seus iguais. É esse o perfil da batalha.
Este texto respeita as regras do AO90.

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