Diário
Director

Independente
João de Sousa

Domingo, Fevereiro 25, 2024

Tipo, ai eu sou tão culto

Guilherme Antunes
Guilherme Antunes
Licenciado em História de Arte | UNL
Guilherme Antunes
Guilherme Antunes

A bizarria do que se chama “arte contemporânea”, sendo um caso básico de oportunismo rasteiro e ausência absoluta de critérios científicos, estéticos e filosóficos, parece ser um caminho fácil para lavagem de dinheiro.

Já se reparou que não há ladrão que roube uma “obra de arte” daquelas? Quem é que quereria um penico fora do contexto museológico? Quem poderá ter interesse nos “pentelhos” deixados no lençol pela menina Tracey?

culto-my bed

Os “artistas da arte contemporânea” não precisam de estudar, não precisam de evoluir nos saberes, é indiferente se são movidos por alguma sensibilidade estética. Desde que tenham o contacto certo, a influência exacta, o curador (palavra pateta do seguidismo irracional anglófilo) ideal, o êxito está assegurado. A máquina de montagem da “arte contemporânea” assegurará uma carreira auspiciosa aos deuses primordiais da inteligência e do fervor intelectual, perante tão deslumbrantes peças de armazém feitas languidamente ao sabor de uma observação superior.

Os pobres olhantes não ousam manifestar o seu desagrado porque logo serão etiquetados de ignorantes (se não percebem, aprendam, dizem-lhes de imediato). A subjectividade, de onde não arredam pé, é o garante de que o truque se manterá de vento-em-popa. Caramba, se isto ou aquilo custa tanto dinheiro, deve haver algum sentido reservado eivado de conhecimentos tamanhos que o melhor é não se dizer nada. Continuar a engolir a patranha de que as artes plásticas “não devem tocar os olhos, mas sim o coração” fará Walter Benjamin dar saltos de corça de repúdio.

O discurso conceptual, bem dirigido e muitoooo explicativo, será sempre o mote elevatório da “arte conceptual”. Não é preciso intuir nada, escusa-se que o gosto de cada um possa ter voz. A ausência de critério artístico só o pode exibir o grupinho em que se congeminam as tramóias modernaças, todas iguais em valor(?) e entediantes da chamada “arte contemporânea”.

 

 

Nota da Edição:

O leilão referido no texto, teve lugar em Julho de 2014, no qual a polémica obra “My Bed” (“A minha Cama”), da artista britânica Tracey Emin, foi arrematada por 2,2 milhões de libras (cerca de dois milhões e 752 mil euros) na leiloeira Christie’s, em Londres

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -