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Domingo, Outubro 24, 2021

Um Festival que também dá lugar aos novos

José M. Bastos
Crítico de cinema

69º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE SAN SEBASTIÁN

Se é verdade que para muitos dos participantes neste festival ele é sobretudo uma oportunidade para ver as mais recentes realizações de cineastas com carreiras já consolidadas ou de poder encontrar actrizes e actores famosos, também é certo que este é um local para descobrir novos autores que procuram um lugar para mostrar as suas obras. Em muitos casos, as suas obras de estreia. San Sebastián concede há muitos anos esse espaço. E se essa é uma característica transversal a quase todas as secções desta mostra, é na secção ‘Novos Realizadores’ que tal facto é mais patente. ‘Novos Realizadores’ é um espaço de descoberta de jovens criadores em início de carreira. Acolhe primeiras ou segundas obras dos seus autores. Foi aqui que, no passado, começaram a ser conhecidos nomes que em alguns casos, vieram a ter (ou estão a ter) trajectórias de sucesso.

Na presente edição os filmes desta secção são os seguintes:

  • “Carajita” de Silvina Schnicer e Ulises Porra (Rep. Dominicana / Argentina)
  • “Ese Fin de Semana” de Mara Pescio (Argentina / Brasil)
  • “Shu Qi Shi Guang” (Perdido no Verão) de Sun Liang (China)
  • “Iki Safak Arasinda” (Entre Dois Amanheceres) de Selman Nacar (Turquia / França / Roménia / Espanha)
  • “Inventura” de Darko Sinko (Eslovénia)
  • “Josefina” de Javier Marco (Espanha)
  • “Mass” de Fran Kranz (EUA)
  • “Le Bruit des Moteurs” (O Barulho dos Motores) de Philippe Grégoire (Canadá)
    “Marocco / Mikado” de Emanuel Pârvu (Roménia / Rep. Checa)
  • “Nich’Ya” / Unwanted de Lena Lanskih (Rússia)
  • “Hon-Ja Sa-Neun Sa-Ram-Deul” / Aloners de Hong Sung-Eun (Coreia do Sul)
  • “Las Vacaciones de Hilda” de Agustín Banchero (Uruguai / Brasil)
  • “La Roya” de Juan Sebastián Mesa (Colômbia / França)

Obras vindas de vários países europeus, da Ásia e da América Latina, em alguns casos de cinematografias pouco comuns nos nossos ecrãs, e que abordam temas como a solidão, as inquietações e incertezas da juventude, a delinquência, tramas policiais…

A produtora britânica Mary Burke, a actriz espanhola Irene Escolar e a realizadora e actriz francesa Suzanne Lindon avaliarão os treze títulos em competição nesta secção.

Todos estes filmes são candidatos a um prémio dotado com 50 000 euros repartidos, em partes iguais, entre o realizador ou realizadora e a distribuidora do filme em Espanha.

 

Destaque para o cinema da América Latina

Disfrutando o cinema latino-americano de uma atenção muito especial por parte da organização do festival, temos que convir que na edição do ano passado esta área de programação teve uma vida difícil. De facto, devido à pandemia e com as deslocações aéreas quase impossíveis, os participantes daquela área geográfica (habitualmente muito numerosos em San Sebastián) estiveram ausentes. O mesmo aconteceu com os autores dos filmes.

Na presente edição verifica-se já alguma recuperação também neste campo.

Refira-se, mais uma vez, que  o Festival de San Sebastián tem programas vocacionados para o apoio à produção de trabalhos de jovens cineastas latino-americanos: ‘Cine en Construcción’ e ‘Fórum de Co-produção Europa-América Latina’. Alguns dos filmes selecionados tiveram o apoio desses programas, o mesmo acontecendo com alguns dos presentes em “Novos Realizadores”.

Estão presentes em San Sebastián, em “Horizontes Latinos”, dez títulos que serão avaliados por um júri constituído pela produtora espanhola María Zamora, pela realizadora e actriz mexicana Lila Avilés e pelo crítico de arte argentino  Luciano Monteagudo.

Na sessão inaugural desta secção foi exibido “Jesús López”, uma co-produção entre a Argentina e a França dirigida por Maximiliano Schonfeld.

Jesús López, um jovem piloto de corridas, morre acidentalmente. O seu primo Abel, um adolescente sem rumo, é tentado a ocupar o seu lugar, mas em tudo… Muda-se para casa dos pais de Jesús, veste a sua roupa, sai com os seus amigos e com a sua namorada! Transforma-se em Jesús Lopez… e conduz o carro do primo numa corrida em que este é homenageado… Uma estranha história de apropriação de uma personalidade alheia.

A encerrar o ciclo poderá ser visto “El Empleado y El Patrón” de Manuel Nieto Zas uma co-produção Uruguai / Argentina / Brasil França.

Os outros filmes exibidos este ano são os seguintes:

  • “Amparo” de Simón Mesa Soto (Colômbia / Suécia / Alemanha / Qatar)
  • “Aurora” de Paz Fábrega (Costa Rica / México / Panamá)
  • “ Azor” de Andreas Fontana (Suíça / Argentina / França)
  • “ La Caja” de Lorenzo Vigas (México / EUA)
  • “Madalena” de Madiano Marcheti (Brasil)
  • “Noche de Fuego” de Tatiana Hueso (México / Alemanha / Brasil / Qatar)
  • “Piedra Noche” de Iván Fund (Argentina / Chile / Espanha)
  • “Una Película de Policías” de Alonso Ruizpalacios (México)

Cinema para ver e para ficar com água na boca

O Festival de San Sebastián, decorrendo numa cidade que por muitos é imediatamente associada a uma gastronomia de excelência,  oferece mais uma vez aos espectadores a secção “Culinary Zinema” que tem a particularidade de, para além da normal exibição em sala, ter também jantares temáticos em que os filmes são apresentados. Com a colaboração do Basque Culinary Center, este é um ciclo que procura “unir o cinema, a gastronomia e o desenvolvimento de diversas actividades relacionadas com a alimentação nos âmbitos da educação, da ciência e da agricultura”.

Nesta 69ª edição esta mostra inclui cinco filmes, a saber:

  • “Las Huellas de El Buli” de Iñigo Ruiz Aquerreta e José Larraza (Espanha), uma visão da trajectória do cozinheiro catalão Ferran Adrià e da forma como ele mudou definitivamente a gastronomia mundial, quando se cumprem dez anos sobre o encerramento do famosíssimo restaurante ‘El Buli’;
  • “Délicieux” de Éric Besnard (França), a história passada no século XVIII, de um cozinheiro que, despedido pelo seu Senhor em plena Revolução Francesa, acaba por abrir o primeiro restaurante de França;
  • “Michelin Stars II: Nordic by Nature” de Rasmus Dinesen (Dinamarca / Espanha), uma curiosa abordagem de um dos melhores restaurantes do mundo, o  famoso ‘Koks’ é o pretexto para os espectadores ficarem a conhecer as Ilhas Faroé;
  • “Reinventing Mirazur” de Franck Ribière e Vérane Frediani (Reino Unido / EUA / Japão / Suíça) centrado no restaurante do ‘chef’ argentino Mauro Colagreco na costa mediterrânica francesa, eleito imediatamente antes da pandemia como o Melhor Restaurante do Mundo;
  • “The Pursuit of Perfection” de Toshimichi Saito (Japão), um documentário que, a partir da experiência de quatro importantes ‘chefs’ japoneses, procura as raízes da culinária daquele país.

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