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João de Sousa

Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023

VI Congresso Mundial das “Scholas Occurrentes”

Os actores norte-americanos Salma Hayek, George Clooney e Richard Gere receberam ontem dia 29, o prémio “Oliveira da Paz” no Vaticano, no encerramento de um encontro realizado pela “Scholas Occurrentes”, projecto fundado pelo Papa Francisco.

Clooney, que estava acompanhado da esposa, Amal, disse que o programa impulsionado pela Scholas é “maravilhoso” e permite que “tantas outras religiões diferentes falem de inclusão”.

Após o encontro, Francisco ainda conversou por alguns minutos com Gere. Durante os três dias de encontro foram debatidos temas como questões educacionais e ambientais, que preocupam muito tanto o Papa quanto estes actores.

 “Scholas Occurrentes”  vs  “Corrupção Educativa”

A iniciativa, fundada pelo então bispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio,  é promovida até hoje por ele, e consiste  numa rede de escolas para a educação e a inclusão.

O Jornal Tornado referiu, no Editorial de há duas semanas, o empenho do Papa em manter vivo o propósito que deu origem a este movimento e as inúmeras referências que faz contrárias “ao comércio” que a Educação envolve.

Também ontem, assumindo uma posição diametralmente oposta à do Patriarcado, o Padre Mário, da Lixa, a propósito da manifestação que ocorreu em Lisboa, escrevia na sua página do Facebook  “são só 40 mil os defensores da escola privada e para cúmulo todos equivocados?! É que ninguém proíbe a escola privada, contanto que a pague! Fossem plena e integralmente humanos, em vez de cristãos católicos, e seriam os primeiros a exigir escola pública de qualidade para todos!”

 

escolas ocurrentes

 

A génese

A primeira experiência envolveu 70 crianças de quatro colégios paroquiais.

As Escolas de Vizinhos ou Escolas Irmãs (assim foram chamadas) tiveram, como ponto de partida, acreditar que a mudança passava pela educação, mas não fazendo mais do mesmo. Não queriam mais “escolas gueto”, escolas para dentro, mas, pelo contrário, juntar escolas.

Juntar escolas públicas e privadas, de diferentes religiões, de diferentes níveis sociais, e que as crianças começassem a ser vizinhas, partilhando os seus problemas reais – drogas, álcool, insegurança, violência –, e não apenas aqueles que constam nos projectos curriculares. E a partir desses problemas reais pesquisar, trabalhar, ir para a rua, fazer entrevistas, falar com os políticos, tirar conclusões e exigir as mudanças.

Este fenómeno multiplicou-se muito rapidamente; quatro anos depois, já havia 7.000 crianças a fazer o mesmo e, até hoje, a multiplicação persiste. Hoje o movimento “Scholas Occurrentes” une mais de 400 instituições da área da Educação de todo o mundo, com uma média de 500 alunos cada uma.

O projecto conta já com plataformas de intercâmbio adicionais, nas áreas do Desporto, da Arte e da tecnologia.

 

Como se financiam

Cada projecto que se faz, tal como no início, em Buenos Aires, é financiado pelos cooperadores, por pessoas que fazem doações, que ajudam todos os meses com uma quota. Para além disso, organizam eventos para angariar fundos, como aconteceu com o jogo inter-religioso pela paz que aconteceu em Setembro de 2014 no Estádio Olímpico de Roma.

 

A posição crítica do Papa Francisco

Por diversas vezes, e estando mais atentos agora dada a polémica instalada em Portugal com a questão dos Contratos de Associação, lemos declarações de Francisco manifestando o seu desagrado e discordância, criticando mesmo, a postura de certas entidades ligadas à igreja católica:

“as escolas, até mesmo de freiras, essas para onde os ricos vão, têm muitos subsídios”

“é triste ver padres e bispos apegados ao dinheiro”

pronunciando-se a favor da atribuição de “subsídios às escolas de bairros carenciados” e pede, utilizando a palavra “carreiristas“, que “vençam a tentação de “uma vida dupla”, a Igreja deve servir aos outros e não servir-se dos outros”.

“Duas imagens de cristãos, duas imagens de sacerdotes, duas imagens de religiosas. Duas imagens”. “Jesus faz-nos ver esse modelo em Paulo, esta Igreja que nunca está parada, que sempre cria bases, que vai sempre para a frente e nos faz ver que esse é o caminho”.

“Mas quando a Igreja é morna, fechada em si mesma, também muitas vezes mercantil, não se pode dizer, que é uma Igreja que ministra, que está ao serviço, mas sim que se serve dos outros.”

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