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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

Vírus de Wuhan já mudou o mundo e vai mudar tudo ainda muito mais

A “normalidade” que conhecíamos morreu vítima do vírus chinês. A narrativa neo-liberal sobre a morte do Estado, está agora à vista de todos, era claramente exagerada. Acabou a era das “governanças”, os governos estão de volta, com um completo refazer do modelo económico global.Tempo de “re”: relocalizar, reindustrializar, reestruturar, refazer e até renacionalizar… China, Estados Unidos e Rússia já tornaram claro que a sua escolha (e, recordem-se, governar é escolher…), a sua prioridade é defender e desenvolver os respectivos aparelhos produtivos. Até a ordo-liberal Alemanha da CDU/CSU encara mesmo a nacionalização de empresas para impedir que, feridas pela crise, sejam vítimas dos grandes predadores estrangeiros, como os chineses.

A implosão/fragmentação do modelo global deixa a actual estrutura da economia chinesa sem racionalidade. O governo do PC Chinês já deixou cair a prevista taxa de crescimento dos 6% (o mínimo para suportar a “normalidade” da economia chinesa), cortou-a para metade, num primeiro tempo, e já encara uma taxa de… 0,2% ! Resta saber se mesmo estes 0,2% terão alguma realidade…

Na “União Europeia”, alguns dos Estados da fachada marítima (incluindo a Itália) não descartam a possibilidade de taxas de desemprego da ordem dos 40% (fruto de um colapso das respectivas economias e do tempo necessário para refazer os aparelhos produtivos). Muito interessante (e até instrutivo…) será ver como a Alemanha e a sua “zona marco” ou “zona n.euro” reagem à quebra da China e ao afundar de boa parte da Europa…

Não isenta de problemas mas muito menos exposta está a economia americana que tem no seu mercado interno o principal cliente (ao contrário das economias da Alemanha ou da China que, subordinadas a estratégias de nacional-mercantilismo, vivem das exportações…). O governo de Washington já decidiu tomar as medidas necessárias para que os bens e serviços disponíveis no seu mercado interno tenham uma forte incorporação de trabalho americano. E isto implica o refazer das cadeias logísticas globais… Ou seja, é uma péssima notícia para a Alemanha e para a China.

O vírus de Wuhan fez desabar o mundo que conhecíamos, foi o fim de um mundo. O que está a emergir, por entre violentíssimas dores de parto, é ainda uma novidade. Preparem-se.


Exclusivo Tornado / IntelNomics

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