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Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

Vitória de Cruz e Sanders no Wisconsin pode ser ponto de viragem

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Do lado democrata, Bernie Sanders superou Hillary Clinton: o senador do Vermont conquistou 57% dos votos e 45 delegados, enquanto a ex-primeira-dama teve 43% dos votos e 31 delegados, revela a CBS News.

No seu discurso de vitória, citado pelo The Guardian, o senador texano Cruz prometeu aos seus apoiantes que vai alcançar os 1237 delegados republicanos necessários, para ser escolhido na convenção do seu partido como o candidato à presidência dos EUA, “ou antes, ou na convenção de Cleveland”. “Esta noite marca um ponto de viragem. Temos uma escolha, uma escolha real”, frisou Cruz, que citou John F. Kennedy ao dizer que “Wisconsin é uma luz que guia o caminho em frente” para os eleitores republicanos.

 

Explicações para a derrota de Donald Trump

A derrota de Trump surge na sequência de vários factos negativos para a sua campanha: recentemente, o empresário afirmou que as mulheres deveriam ser castigadas por terem feito um aborto, o que despoletou descontentamento entre as eleitoras, revela o Guardian.

A derrota no Wisconsin é semelhante àquela que Trump sofreu nos estados de Iowa e Minnesota, região onde a retórica dura de um nova-iorquino não é bem vista. Além disso, o seu apoio público ao director de campanha, acusado de agredir uma jornalista, bem como insinuações de que esta teria mentido, não ajudou; tão pouco as declarações polémicas sobre política externa, que incluem a frase “a proliferação nuclear vai acontecer de qualquer forma”.

Donald Trump atacou ainda o governador do estado de Wisconsin, Scott Walker (que declarou apoiar Ted Cruz), no que respeita a aspectos económicos. Chegou a criticar o político por não aumentar os impostos naquele estado norte-americano.

 

Sanders acredita em “caminho para a vitória”

Do lado dos democratas, Bernie Sanders discursou sobre a vitória aos seus apoiantes na cidade de Laramie, no estado de Wyoming. “Se ignoramos o que ouvimos nos meios de comunicação social corporativos, os factos são claros: temos um caminho rumo à vitória, rumo à Casa Branca”, declarou o senador do Vermont em resposta aos gritos de apoio dos seus eleitores. O senador do Vermont volta-se agora para os chamados “super-delegados”: se estes decidirem apoiá-lo, isso representa uma vitória sobre Hillary Clinton, cuja equipa de campanha já começou a tentar reverter a vitória de Sanders.

“O vosso voto é a vossa voz e a campanha de Sanders não devia estar a tentar dar a volta ao processo – ou aos quase nove milhões de pessoas (e a contagem continua) que optaram por apoiar Clinton nesta eleição”, lê-se num email de Robby Mook, gestor de campanha da pré-candidata.

Com críticas aos media, que acusa de o terem tratado como um candidato à parte que começou 60 a 70 pontos atrás de Clinton, falou das queixas dos cidadãos norte-americanos: “de costa a costa, as pessoas perguntam-se porque é que temos níveis grotescos de desigualdade? Porque é que a classe média deste país tem encolhido?”

Sanders mencionou pela primeira vez na sua campanha o escândalo conhecido como Panamá Papers e lembrou que, em 2011, opôs-se em público contra o acordo de livre comércio com o Panamá; citou ainda as reportagens na imprensa, nomeadamente no Guardian, que mostraram “exactamente que o que eu temia aconteceu… pessoas abastadas e corporações grandes a descobrirem como evitar pagar os justos impostos”.

 

O que disse Sanders em 2011 sobre o Panamá

Em Outubro de 2011, ao discursar no Senado dos EUA, Bernie Sanders afirmou ser contra a assinatura do acordo de livre comércio entre o seu país e o Panamá, explicando porque razões estava contra. Lembrou que as receitas da pequena economia panamenha representavam 2% da economia dos EUA e ironizou, afirmando que “ninguém aqui vai legitimamente dizer que fazer acordos com uma economia tão pequena vai aumentar o número de postos de trabalho”.

“Acontece, senhor Presidente, que o Panamá é o líder mundial em permitir aos americanos ricos e a vastas corporações cometerem evasão fiscal, ao meterem o dinheiro em offshores e paraísos fiscais. O Acordo de Livre Comércio com o Panamá vai agravar esta má situação”.

O senador do Vermont lembrou que, enquanto membro do comité orçamental, sabe que todos os anos, a fuga fiscal custa aos EUA 100 biliões de dólares, devido ao recurso aos paraísos fiscais. Citando a organização Citizens for Tax Justice (“Cidadãos para a Justiça Fiscal”), lembrou ainda que “um paraíso fiscal tem uma de três características: ou não tem receitas fiscais ou as tem muito baixas; possui leis de segredo bancário; e um historial de não cooperar com outros países na troca de informações sobre assuntos fiscais”.

“O Panamá tem todas essas três”, frisou o político, que foi mais longe: “o acordo com o Panamá vai na verdade impedir os EUA de perseguir os recursos abusivos a paraísos fiscais”. Sanders evocou a situação económica do país, que em 2011 tinha uma dívida pública acima dos 14 triliões de dólares, para insistir que o acordo se traduziria num obstáculo a obrigar as grandes corporações a pagarem os devidos impostos.

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