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Domingo, Fevereiro 25, 2024

66º Festival de Berlim | Preparados para o choque de culturas?

66º

Já lá vão 66 anos desde que se ergueu o primeiro festival de Berlim

Dieter Kosslick, o presidente da Berlinale, recordou no editorial que abre o catálogo, que em 1951, o ano de inauguração da primeira edição do festival, “a Alemanha era um país inundado por refugiados”, seguramente muitos deles empregados nas muitas obras que o Plano Marshall permitiu para a construção da nova Europa e até pela visão de “uma Europa unida” de Jean Monet.

Mas também um tempo em que o cinema ajudou a sarar as feridas e a gerar um maior entendimento entre os povos. 66 anos depois, reforçou Kosslick, “o festival continua comprometido com essa tradição” com uma programação que se pretende que seja o espelho dessa diversidade cultural.

Será esse o desafio do júri liderado por Meryl Streep, a campeã das nomeações aos Óscares, embora aqui no papel de seleccionar, com os seus colegas, os próximos vencedores dos Ursos de Ouro. Apesar da actriz ter declarado que “é a primeira vez que participo como presidente de Júri num festival”, explicou que encontrou alguma experiência “na empresa onde trabalho chamada família. Por isso tentarei fazer o mesmo como Presidente do Júri”.

Independentemente das inúmeras surpresas que o festival nos reservar, merecem já a atenção os trabalhos dos nomes consagrados como André Téchiné (Quando n a 17 Ans), Gianfranco Rosi (Fuocoammare), Denis Cotê (Boris Sans Béatrice) ou Thomas Vinterberg (The Commune), bem como o novo olhar de jovens mas igualmente talentosos, como a francesa Mia Hansen-Love (L’Avenir), o americano Jeff Nichols (Midnight Special) ou até o português Ivo Ferreira (Cartas da Guerra).

Seja como for, o júri não deixará de levar em linha de conta o desejo de impor a tal diversidade cultural, possivelmente encontrando eco no novo filme do filipino Liav Diaz (A Lullaby to the Sorrowful Mystery), centrado na luta contra o colonialismo espanhol nas Filipinas, ou a proposta do tunisino Mohamed Bem Attia (Hedi), sobre escolhas pessoais que envolvem quebrar com um modo de vida, ou talvez até a realidade actual dos clãs maori na Nova Zelândia, captado pela câmara do veterano Lee Tamahori, em The Patriarch.

Vença quem vencer, we’re ready to get our kicks on Berlinale 66!

Berlinale-Trailer 2016

 

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