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João de Sousa

Sábado, Novembro 27, 2021

Começou a batalha por Lisboa

João Vasco AlmeidaAssunção Cristas, Jorge Moreira de Sá, Mariana Mortágua, Fernando Medina e (inserir nome do PCP) são os generais na batalha por Lisboa, daqui a ano e meio. A primeira conclusão é que a nova geração de políticos chegou à corrida pelos lugares cimeiros, sem senadores ou comendadores na guerra pela conquista do castelo.

A ano e meio de distância é natural que mudem os nomes pelo caminho, mas ao olhar para o cenário que se coloca nas eleições à capital, o maior ministério do país e cadeira que faz políticos nobres para outros voos, todos os partidos apostam nos seus mais dilectos delfins, o que é bom.

Mas todos nos parecem números dois, o que é mau. A população lisboeta não gosta de ser tratada como balão de ensaio e os partidos, ávidos de combater o vazio interno, ameaçam fazer isso mesmo.

Cristas e Moreira de Sá são os números dois de Portas e Passos, uma dupla já passada, sem desprimor pelo papel que representaram (enfim, com algum desprimor, mas não formalmente). São duas caras na mesmíssima face da moeda, embora se se fizesse justiça Moreira de Sá, tímido e de voz suave, se entenda como mais moderado e menos navegador da maionese do que Cristas.

Mariana Mortágua é um perigo iminente para Fernando Medina. Embora o autarca socialista tudo faça para se afastar de Costa e se impôr como verdadeiro presidente, o eleitorado pode estar farto do PS daqui a ano e meio. O seu combate com Mortágua, então com 31 anos, aquela idade em que deixou de ser uma miúda, será duro. A diferença entre ganhar e perder pode estar nos dez por cento, ou mais, que a deputada conseguir roubar ao eleitorado socialista.

A direita dividia será sempre uma boa notícia para Medina, mas a esquerda atacante é o pior que lhe pode acontecer. O PCP, que em Lisboa sempre apresentou candidatos válidos, terá mais na capital que o pobre padre Edgar conseguiu para Belém (uma injustiça, aliás, a votação de Edgar).

Candidatos Câmara LisboaSe Medina conseguir um acordo à esquerda – desejável muito mais em Lisboa do que para o país – terá de conceder lugares a Roseta, ao Bloco e, quem sabe, ao PCP. Será um momento único, muito apreciável. Fernando Medina pode assim aproveitar os jovens talentosos do PS, como Duarte Cordeiro, Carlos Castro ou mesmo Hugo Xambre Pereira e Rute Lima, deixando cair os senadores, repito, que o PS tem tido. Se não conseguir o acordo, Medina não terá outra opção senão fazer isto mesmo, sob pena de Mortágua e Cristas transformarem o combate numa guerra de libertadores da cidade, com exércitos frescos e jovens.

O argumento da idade e de “posto” não valerá ao PS, nos tempos em que o terceiro orçamento de Estado estiver à bica e as críticas forem mais do que muitas. Se Nixon foi à China e Obama a Cuba, Medina terá de ir à luta com sangue na guelra.

Sob pena de Rui Moreira ser o vencedor da noite, a comemorar com Engenheiro Paços de Ferreira, o Dr. Mega Ribeira, a Dra. Antonieta Antas Afonso e o Arquitecto Jorge Towney…

P.S. – Se Catarina Martins entrar na corrida, aí, então, o PS e o PCP bem podem rezar a Santo António que CDS e PSD lhe peçam coligação, que a actriz tem possibilidades de tirar peso aos socialistas e comunistas, sem qualquer histórico autárquico a não ser uma confrangedora câmara mal gerida em Salvaterra. O Bloco seria o herói de 2017.

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