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Domingo, Novembro 28, 2021

“A vida inspira-nos” de Márcio Batalha

Delmar Gonçalves, de Moçambique
De Quelimane, República de Moçambique. Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e Coordenador Literário da Editorial Minerva. Venceu o Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em 1987; o Galardão África Today em 2006; e o Prémio Lusofonia 2017.

Qualquer literatura tem o seu futuro assegurado quando possuí jovens autores a iniciarem-se na carreira literária. Doutra forma, que continuidade seria assegurada e quem a asseguraria? Afinal, Angola está viva, bem viva na literatura  que produz com  o prolífico activismo cultural dos jovens da Brigada, continuadores de outras gerações.

O grito que aqui surge é o de um jovem escritor angolano, que,  sendo defensor do status quo, tem os olhos postos no futuro e sonha de olhos abertos um futuro melhor para Angola, com união, paz e harmonia e também a nível pessoal.

E quem disse que só auguram um futuro promissor apenas os defensores do caos? Também há as vozes da ponderação, da prudência, da  razão e do bom senso.

Depois, há o amor. Esse amor que o autor a todos tem para dar e nada mais. Nada mais? Muito mais, tem ânsia do porvir ,que o passado é um cadáver que deve ser arrumado  numa gaveta sem fundo e fechada a sete chaves para que o amor respire e ressurja com a força de um leão e à velocidade estonteante de uma impala e, finalmente, permanecer, mas como um furacão que nunca é violento, por isso, permanece sobrevivendo às tormentas. Com o amor tudo volta ao normal e o grito transforma-se em canto. Ouvem-no? Oiçam-no. Tem melodia e verve. É esta a força poética do verbo que este poeta nos transmite convidando-nos ao efeito de espelho.

Ao lermos com atenção cada um dos seus poemas, sentimo-nos convidados à auto-reflexão, assim como um “xirico”, que escuta melodiosas canções, que nos inquietam mais do que nos embalam. Não é o ser humano o buscador incessante da perfeição?

É que, até as máscaras da vida que usamos, são do mais profundo e labiríntico dos mistérios. E o erro? Quem disse que o erro não faz parte do nosso processo de crescimento e maturação?

Nunca nos esqueçamos que só poderemos julgar os outros pelo conhecimento que tivermos de nós mesmos. E quem disse que o amor é um projecto perfeito de adivinhação sem tormentos? Depois, bem dizia o enigmático e místico poeta libanês Khalil Gibran “O homem é dois homens; um está acordado na escuridão, enquanto o outro dorme na luz”. Quase sempre o julgador está preso na cela do seu julgamento, enquanto o julgado expectante tem um amplexo aberto para partilhar. Por vezes, é preciso procurar todos os homens para nos conhecermos a nós mesmos.

Como dizia, mais uma vez Khalil Gibran“ A realidade do outro não está naquilo que te revela, mas naquilo que não pode revelar-te”.  Não é por acaso que se diz que os poetas são uma espécie de vendedores de passados que anunciam um futuro que não foi. E que é feito do presente? Na poesia não há impossíveis, também por isso “A Vida inspira-nos”. Basta que o/a leitor/a a devorem depois de esta alimentar insaciavelmente o inspirado vate.

Haja sempre labor e humildade.

Bayete poeta Márcio Batalha!

 

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