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João de Sousa

Domingo, Outubro 24, 2021

Acordar

Yvette Centeno
Licenciou-se em Filologia Germânica, e e doutorou-se com uma tese sobre A alquimia no Fausto de Goethe. É desde 1983 Professora Catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde fundou o Gabinete de Estudos de Simbologia, actualmente integrado no Centro de Estudos do Imaginário Literário.

Poema de Yvette Centeno

Acordar

Acordar é difícil,

à minha frente

não vejo um tempo novo

fecho os olhos mas é

um gesto fútil

porque não voltarei

já sei a adormecer.

Cumpro então um ritual:

espreitar o Facebook,

ver o que se passa por ali.

Tempo perdido,

mas se não faço sequer

o esforço de o perder

o que farei então de tanto tempo

que do dia me sobra

e de noite me ensombra

porque nada de novo fui fazer?

Definir o que é novo?

Na velhice adiantada

só o disfarce é novo

e tudo o mais é nada

me diria o poeta.

Impossível amar,

pois já se amou demais

e ainda menos lembrar

o que passou.

Assim vai indo o tempo

neste correr de vida.

Não foi desperdiçado,

mas é difícil viver

estando acordado.

(22 de Setembro, 2021)

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