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Quarta-feira, Outubro 27, 2021

Alckmin e Temer: jogo de gato e rato

Tereza Cruvinel, em Brasília
Jornalista, actualmente colunista do Jornal do Brasil. Foi colunista política do Brasil 247 e comentarista política da RedeTV. Ex-presidente da TV Brasil, ex-colunista de O Globo e Correio Braziliense.

Eliseu Padilha anunciou que o PSDB não é mais da base governista e foi desmentido por Temer. Os tucanos fizeram exigências para votar a reforma previdenciária sabendo que o Planalto as recusaria. Padilha disse o não. Liberaram a bancada na votação do adiamento da MP da Shell, a 795, em sinal de afastamento do governo. Geraldo Alckmin disse que “sempre” foi contra a participação do PSDB no governo mas em dezembro passado afirmava que um afastamento entre o PSDB e Temer não tinha “a menor procedência”. No domingo, Temer e Alckmin se encontram, segundo o divulgado, para discutir civilizadamente o desembarque tucano mas o que eles estão sondando mesmo são as possibilidades de uma aliança PSDB-PMDB, agora que o governador paulista já está praticamente confirmado como candidato a presidente. Então vamos assistir a um jogo de “morte e assopra” que oculta a verdadeira pretensão dos peemedebistas: arrastar Alckmin para uma aliança com o PMDB que, para ele,  seria o verdadeiro beijo da morte.

Antes do acerto interno tucano, que fará de Alckmin presidente do partido na convenção do dia 9 de dezembro, o Planalto deixava correr solta a notícia de que Temer poderia, sim, ser candidato à reeleição para defender seu “legado”, por uma ampla coalizão juntando o PMDB, os partidos do Centrão e quem sabe o PSDB. Hoje, sem mais nem menos Padilha anunciou que Temer ‘não tem a menor pretensão’ de candidatar-se. Nem por isso, deixou de ser ambíguo, acrescentando que, para Temer, seu mandato tem  como objetivo “colocar o Brasil nos trilhos”, o que estaria começando a acontecer. Ou seja, para completar a missão, Temer pode querer mais um mandato, por mais surrealista que seja a idéia, diante de seus índices de rejeição.

Jogo de gato e rato. A especialidade do PMDB não é disputar a Presidência com candidatos competitivos e programas consistentes para o país. Seu negócio é pegar carona em governos dos outros, participando de coligações eleitorais ou vendendo caro seu apoio depois das eleições. A máquina do PMDB, suas prefeituras, seu tempo de televisão, tudo isso será tentador para Alckmin. Mas a condição será abraçar Temer, ou pular no abismo. Foi isso também que disse Padilha hoje ao afirmar que o PMDB só apoiará, em 2018, um candidato que se comprometa com a defesa do “legado de Temer”. Alckmin, que hoje tem índice de preferência de um dígito, topará? Este é o jogo.

A autora escreve em Português do Brasil

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