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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022

Angola, um sonho perdido

Vítor Burity da Silva, Angola
Ph.D em Filosofia das Ciências Políticas. Pós Doutorando em (Educação e Psicologia). Doutor Honorário em Literatura e Filosofia. Professor Honorário de Filosofia da Educação. Professor Universitário. Investigador. Membro da Sociedade Portuguesa de Filosofia. Membro da Associação Portuguesa de Escritores. Escritor.

Acordei nobre na maresia de uma insónia escura lá pelos lados do nada, uma estátua inventada e um sorriso encontrado para me limitarem a caminhada. Pareciam fariseus naquele estandarte que diziam ser arte, afinal um corte na pele que sangra dores para crescer e nada, tudo é mais forte que o absoluto.

Sentia de cor a cor daquele vazio num rio seco que esbarrava contra a margem e marés eram utopia numa escócia marcada pela luta no reino perdido onde nem czares se sentavam como na bancada sossegada e fria daquela moscovo na televisão, sente-se de forma tão indiferente o fluir dos aleijados acamados no asfalto do desdém que a glória impõe.

Ainda que sem frio, onde a neve nunca existiu há um frio que gela neste quente disfarçado e embalsamado como uma esfinge num Egipto verde de pirâmides cansadas a desfazerem-se em pó numa tarde qualquer, todos os dias.

Acordei como se a surdez me desfizesse num canto sem alma a vegetar fantasmas coloridos em paredes de grafitis experientes a colarem o meu rosto numa floresta seca ou num deserto de ideias como pintassilgos de alcachofre nas paredes de árvores fugidas.

Aos pingos, o tempo esvai-se, a terra que suga o suor de dor dos viajantes e de ambulantes sonhadores, a vida nesta casa sem chão como se o sangue fosse a última esperança de vida.

Um dia destes fui-me embora. Larguei a minha alma e coloquei-a num areal de ninguém para que nunca saibam de onde vim e morarei longe como um pesadelo de toneladas de uma nave e volta nunca, sim, um presságio Nostradamus pintado no caule da árvore que nunca tive e ali ficarei, tendo já desistido de que algum dia na vida os homens acreditassem que era possível viver.

Não perdi a lucidez e continuo ainda num sonho mais profundo que a ingenuidade visionária de um perdedor que compete sempre ainda assim e numa praia qualquer ser a areia que mergulha no mar e nascerá num lugar qualquer deste imenso nada chamado mundo, voz de água que flutua ou maresia, ao fim da tarde esvazia e até parece que a água foi engolida pelo nefasto farto de esperanças na esperança eterna de viver a morte de um apaixonado por ela e fico apenas o sonho que alguém sonhara um dia.

O escuro das areias avermelham-se em vários repentes e tudo é tão inconstante como a verdade de se ser sol ou nada, fonte de tempo e escape de um velocípede sem rodas nas ondas da vida aqui, nesta casa sem chão onde piso nunca, ou porque não exista ou não o sinta, mas deito-me furibundo como se um fim do mundo se tratasse.

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