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Quinta-feira, Janeiro 20, 2022

Being & Biology: Além do Neo-Darwinismo e do Criacionismo

Nélson Abreu, em Los Angeles
Engenheiro electrotécnico e educador sobre ciência e consciência. Descendente de Goa, nasceu em Portugal, e reside em Los Angeles.

O maior mistério que enfrenta a consciência humana é sobre si mesma. Apesar dos milénios de interrogações, ainda não podemos definir de forma unânime o que é a consciência. No entanto, como Descartes, sabemos que estamos vivos porque estamos conscientes. A ciência mais contemporânea concentra a sua atenção nos atributos dos fenómenos físicos e tende a assumir que a consciência é uma propriedade da actividade cerebral.

No entanto, há evidências, tanto académicas como experiências, que refutam essa visão reducionista. Entre elas: a capacidade da Mente de criar efeitos físicos ligeiros mas significantes, que poderiam afectar a mutação genética e o sistema nervoso. Ou seja, esta obra desafia ambos o criacionismo divino e neo-Darwinismo materialista, ao apontar para uma terceira opção: o principio vital faz parte do tecido do universo e é – possivelmente – capaz de impulsionar a própria evolução.

A nova antologia da ICRL Press, Being & Biology, editada por Brenda Dunne e Robert Jahn, oferece um compêndio de pistas empíricas e teóricas de uma ampla gama de disciplinas académicas e analises de experiências pessoais – experiências que contradizem os pontos de vista materialistas. O livro oferece uma visão da vida biológica baseada na consciência, contrariamente ao que geralmente é defendido na neurociência ou na biologia convencional.

O que consideramos como consciência ou vida pode emergir de um princípio animador que subjaz e unifica mente, corpo e espírito em todos os seres vivos. Um conceito semelhante pode ser encontrado no Vedānta hindu, que promove a ideia de que a evolução subjectiva da consciência é o princípio do desenvolvimento universal.

A Consciência é a Força da Vida?

No capítulo de abertura, “A Consciência é a Força da Vida?”, Robert Jahn e Brenda Dunne discutem possíveis implicações biológicas de pesquisas anómalas entre humano e máquina e sensoriamento remoto realizadas na Universidade de Princeton no Laboratório de Engenharia de Pesquisa de Anomalia (PEAR) entre 1979 e 2007. Seguem-se 14 perspectivas complementares de médicos, psicólogos, engenheiros, neurocientistas, biólogos e outros especialistas. Entre eles, encontramos cientistas de consciência de renome como Rupert Sheldrake, Larry Dossey, Rollin McCraty e pesquisadores do mundo lusófono.

O chamado “problema mente / corpo” que tem atormentado cientistas e filósofos desde a época de Platão baseiam-se na ideia de que todas as leis da natureza são deterministas e que o mundo está causalmente fechado. Portanto, entende-se que cada evento físico pode ser reduzido aos movimentos microscópicos das partículas físicas e, portanto, a consciência deve ser o produto de eventos determinados pela actividade dos átomos e moléculas do cérebro e não há como uma mente imaterial pode causar algo físico sem recorrer a uma derivação física subjacente.

No entanto, após a reflexão pessoal (uma actividade claramente subjectiva) e a consideração das evidências apresentadas nesses ensaios, torna-se evidente que esta perspectiva dualista determinista é falível. Todos os sistemas vivos evoluem e são mantidos por troca recíproca de informações com os seus ambientes. A vida é composta de mente e matéria, e, portanto, depende dessa dinâmica simbiótica. A divisão dessas duas dimensões da experiência e da existência é o único “problema” real.

Se a consciência e o meio ambiente são perspectivas complementares de um sistema unitário, o conjunto é reflectido em todos os lugares e todas as partes estão conectadas. A evidência apresentada nos ensaios deste livro sugere a existência de um aspecto colectivo ininterrupto e desocupado que liga indivíduos e eventos distantes – uma espécie de ressonância ou conexão que desafia a separação no espaço e no tempo. As implicações desta representação da realidade são imensas, alterando o nosso entendimento de saúde e cura; dos nossos relacionamentos entre si, Natureza e o Cosmos; e, talvez o mais importante, nossa visão de nós mesmos. Como David Bohm observou: No fundo, a consciência humana é apenas uma.”

Full Disclosure: O autor deste artigo, Nélson Abreu, tem um capítulo neste livro do qual não recebe royalties. A receita das vendas do livro revertem para a instituição sem fins lucrativos ICRL

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