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João de Sousa

Segunda-feira, Agosto 8, 2022

Braga. A cidade do roque

A mudança prometida e em que a população da cidade de Braga acreditou concretizou-se com o ato eleitoral autárquico de dois mil e treze trazendo repercussões de que só é possível extrair conclusões volvido todo este tempo uma vez que as reais intenções do concorrente que ganhou a citada eleição não eram conhecidas nem sequer a sua sensibilidade para a causa publica o que poderá até ter concorrido para o beneficio da dúvida que lhe foi concedido em dois mil e dezassete uma vez que até aí nada tinha feito. Nem de positivo nem de negativo. E que nada continua a fazer para além da manutenção dos equipamentos existentes reordenando alguns espaços para que se ajustem às necessidades dos tempos tendo em atenção as mudanças entretanto ocorridas nos perfis sociológicos e psicológicos daquilo que hoje se entende por necessário uma vez que as demais iniciativas do foro privado não entram na sua área de jurisdição salvo naquilo que se presume poder configurar cedência a interesse. Matéria suficientemente aprofundada por movimentos cívicos e de cidadania.

Aconteceu em pouco mais de quatro anos e meio uma mudança que transformou uma cidade de costumes e com regras em uma cidade que não quer saber dos costumes e muito menos das regras.

Onde vale tudo desde que as consequências se enquadrem no âmbito dos objetivos e de identidade com os dos poderes em exercício:

  • Imediatismo social;
  • Protagonismo nacional;
  • Ascensão política;

Um triângulo de interesses onde não cabem alguns dos valores fundamentais de uma sociedade que se quer moderna e preparada para os embates futuros:

  • solidariedade;
  • razoabilidade;
  • justiça;

A confusão geral, porque é no meio da confusão que as pessoas de ideias parcas melhor se movimentam disfarçando esse deficit de cognição e de discernimento para aquilo que envolve o exercício de uma função publica num contexto exigente como o é a de um agente politico eleito para resolver assuntos e nunca para os agravar, impera.

A cidade definha e a paródia avança ao ritmo da mediocridade que alguns “canudos” até podem encobrir, mas que de maneira alguma disfarçam como aconteceu com a vontade de um determinado cidadão em ter a principal sala da cidade arrumada e que agora alturas há em que já não sabe o que mais lá meter.

A defesa do Património passou-lhe para os calcanhares e pese-lhe a vergonha de aparecer regularmente nas estampas lá vai aparecendo amiúde onde entra mudo e sai calado.

A cultura aculturou acantonada em eventos do passado sem qualquer ideia de futuro.

O ambiente acompanha as alterações climáticas ao sabor da boa ou má disposição porque esse fenómeno não sendo um fenómeno circunstancial é uma consequência das modernices mal pensadas e pior projetadas porque esta vida são dois dias e o de hoje já conta por isso quem vier atrás que feche a porta.

Em pouco mais de quatro anos a cidade dos costumes virou do avesso só porque um edil entendeu que se pode cortar com as raízes e manter o cordão umbilical.

Para o edil as cidades cosmopolitas estão na moda. Um autêntico logro.

Aquilo que acontece é a existência de um processo de multiculturalidade e interculturalidade racial em construção nas grandes capitais Europeias como solução de equilíbrio social presente e de futuro.

As cidades cosmopolitas são cidades fantasmas. Não tem vida própria. São ponto de passagem de vida em movimento permanente que é coisa em ponto de viragem para a grande maioria dos responsáveis políticos locais na justa medida em que estão tentando dar-lhes vida fixando vida no seu seio e empurrando para a periferia a indústria e alguns serviços.

andamos precisamente ao contrário daquilo que é a diretriz política do bom senso e da razão em gestão pública das grandes metrópoles.

Esta condição fez com que uma pacata cidade de residência se sinta sob ameaça permanente de maus tratos generalizados perpetrados pela autarquia sobre a qualidade de vida que tinha e a que os Bracarenses estavam habituados e que desse estatuto gozaram ao ponto de a cidade ter sido nacional e internacionalmente reconhecida como como sendo uma das cidades no mundo com melhor qualidade de vida ao ponto de a referência: “É bom viver em Braga.” ser uma imagem de marca do sucesso obtido ao longo de um árduo trabalho autárquico de quase quatro décadas.

Bastou-lhe mudar a liderança política autárquica Concelhia para que o descalabro acontecesse.

O impossível, aconteceu.

A cidade das tradições religiosas adormeceu para dar lugar à cidade da confusão e do barulho.

O recato foi extirpado para dar lugar à vaidade desmedida de uns; ao pagode de outros; e ao forrobodó dominante que se instituiu.

Um descalabro muito bem ensaiado nos bastidores dos interesses conjugados entre o poder financeiro e os então candidatos a um exercício que parecendo de somenos importância envolve a vida de uma comunidade de quase duas centenas de milhar de cidadãos em uma cidade com cerca de dois mil anos de existência.

  • O cidadão não sabe quando lhe vão fechar a passagem no acesso à cidade ou abalar com os tímpanos só porque vai haver um evento de: ciclismo; automobilismo; atletismo; festival diverso; festa avulsa;
  • O cidadão não sabe quando vai haver mais alguma descarga poluente no Rio Este porque pode sempre acontecer e não devia;
  • O cidadão não sabe quando vai ser impedido do acesso a um espaço publico porque foi concessionado;
  • O cidadão não sabe se os impostos que paga são para uso comum ou para benefício futuro de um qualquer grupo económico privado;

O cidadão não sabe, mas será que quer saber?

 

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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