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Quinta-feira, Julho 7, 2022

Carnaval a brincar… e a falar a sério

carnaval
A diversão carnavalesca de Lagoa foi assegurada por centenas de foliões que integraram o Corso, em representação de várias colectividades daquele concelho algarvio.

Carnaval_LagoaA história e as tradições da região e os usos e costumes que o ‘progresso’ acabou por fazer desaparecer estiveram em destaque. A forma como a água era levada por um aguadeiro à porta das pessoas quando pensar no precioso líquido canalizado seria considerado um autêntico filme de ficção foi lembrada por uma colectividade. Uma outra lembrava que, em tempos idos, mais do que pelas praias, o Algarve ficou conhecido pelas amendoeiras em flor.

Mas também houve quem fosse mais pragmático, esquecesse o passado e focasse a sua atenção em questões bem mais actuais. Foi o que fez a Sociedade Recreativa Boa União Parchalense, que aproveitou a oportunidade para, a brincar, chamar a atenção para um problema sério.

Carnaval_LagoaTrata-se da obra de construção do novo cemitério da terra que se arrasta há longos anos. E isto, apesar de quase se poder dizer que se trata de um cemitério ‘milionário’, uma vez que, em vez de pessoas, ali já estará enterrado praticamente um milhão de euros, a verba adiantada pelo presidente da Câmara de Lagoa, no decorrer de uma sessão pública, há já quase um ano.

Na altura, Francisco Martins (PS) atirou-se ao seu antecessor, o social-democrata José Inácio Marques, por, alegadamente, ter sido responsável quer pelo atraso, quer pelo avolumar da conta a pagar pela construção do cemitério.

O problema, acusou, é que a equipa autárquica anterior avançou para a empreitada sem se lembrar de fazer um estudo geológico. Uma lacuna que ele terá colmatado ao chegar ao poder para constatar que o terreno em causa Carnaval_Lagoapodia ser muito bom para diversos efeitos, mas não dava para cemitério. Daí que se visse forçado a substituir aquela terra por umas valentes toneladas de outra adequada para o efeito. Devido a isso, a conta da construção do cemitério, que já ia em 600 mil euros, teria de ser aumentada em 400 mil, perfazendo o total de um milhão de euros.

O trabalho iria demorar muitos meses, pelo que a tarefa seria dividida por fases, de forma a que, garantiu, pelo menos uma parte do cemitério abrisse até ao final do ano. O que acabou por não acontecer, pois o ano de 2015 já lá vai e o cemitério continua de portas fechadas. Uma promessa que, agora, a brincar, foi recordada, a sério, pela população local.

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