Diário
Director

Independente
João de Sousa

Quarta-feira, Outubro 27, 2021

Cazuza, que morreu há 30 anos, exprimiu o sentimento de sua geração

Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e jornalista do site Radio Peão Brasil. Escreveu o livro "O mundo do trabalho no cinema", editou o livro de fotos "Arte de Rua" e, em 2017, a revista sobre os 100 anos da Greve Geral de 1917

Antes do Barão Vermelho, bem no início da década de 1980, Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza cantava no Circo Voador, com Bebel Gilberto. A banda, liderada por Roberto Frejat, também não passava de uma banda de garagem que se apresentava no circuito underground.  

Cazuza e Barão formaram um casamento perfeito que, em pouco tempo alcançou sucesso nacional. Gravaram a música tema do filme Bete Balanço e fizeram bonito no Rock’in’Rio de janeiro de 1985.

A apresentação da banda coincidiu com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o fim da Ditadura Militar e a expressão libertária e engajada do Barão tornou-se trilha sonora da esperança por um novo tempo. No palco Cazuza anunciou a mudança política que despontava e cantou “Estamos, meu bem por um triz, Pro Dia Nascer Feliz”.

Mas, rebelde e amável que era, Cazuza deixou a banda no auge, sem perder a amizade. Logo em 1985 iniciou sua carreira solo e em novembro lançou a canção, autobiográfica, ao que parece, “Exagerado”. O poeta não se constrangeu nem mesmo após ser diagnosticado com a AIDS em 1987. Transformou a doença em sabedoria e maturidade. Acompanhar o inesperado diagnóstico, o corpo jovem do artista sendo consumido, o desconhecimento sobre a doença e seus tratamentos foi também um duro aprendizado para a sociedade. As músicas que produziu a partir de então trouxeram um tom mais reflexivo e politizado, como: “Brasil, mostra tua cara”, “Ideologia” e “O tempo não pára”.

Cazuza foi leve, alegre, intenso, denso e profundo, até o dia de sua morte em 7 de julho de 1990, aos 32 anos por um choque séptico causado pela AIDS.  Ele foi enterrado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sobre o tampo de mármore do túmulo está escrito “O Tempo Não Para”.

Desde o início da década de 1980 o rock puro e simples do Barão Vermelho foi rebelde, autêntico e com forte identidade nacional. Com o amadurecimento de sua carreira Cazuza tornou-se ainda mais crítico e politizado. Contando seus dramas, paixões e as contradições de seu tempo, ele exprimiu o sentimento de sua geração, da democracia que voltava após vinte anos de ditadura. Suas ideias ainda estão vivas.

Cazuza foi leve, alegre, intenso, denso e profundo, até o dia de sua morte em 7 de julho de 1990


Texto em português do Brasil


Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a Newsletter do Jornal Tornado. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

 

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -