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Domingo, Outubro 17, 2021

Conflito das Águas mostra efeitos da privatização do sistema hídrico em Cochabamba

Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e jornalista do site Radio Peão Brasil. Escreveu o livro "O mundo do trabalho no cinema", editou o livro de fotos "Arte de Rua" e, em 2017, a revista sobre os 100 anos da Greve Geral de 1917

No ensejo da votação do novo marco regulatório do saneamento, aprovado no Senado, que abre espaço para a privatização da água e do esgoto no País, vale a pena rever Conflito das Águas, filme de 2010, dirigido por Iciar Bollain.

Segundo informa a Agência Senado “O texto prorroga o prazo para o fim dos lixões, facilita a privatização de estatais do setor e extingue o modelo atual de contrato entre municípios e empresas estaduais de água e esgoto”.

No filme, a população de Cochabamba, Bolívia, também está às voltas com o processo de venda de todo o sistema hídrico a uma multinacional estadunidense, um fato real, que ocorreu em abril de 2000.

Naquele contexto, chega à cidade uma equipe espanhola para gravar um filme de época. O ambicioso projeto, que une o cético e pragmático produtor de cinema Costa e o jovem idealista cineasta Sebastián, é apresentar Cristóvão Colombo como um explorador obcecado por ouro e escravos.

Logo eles percebem a carência da população local que se amontoa para conseguir uma colocação no filme. O contraste entre a liturgia de fazer um cinema crítico e o movimento desesperado de uma população carente até mesmo do simples acesso à água se impõe.

O filme ressalta as diferenças entre os eloquentes jovens europeus e a América espanhola, expõe a hipocrisia de um discurso pretensamente engajado, mas mostra também aqueles que surpreendem com uma atitude solidária e humanitária quando a equipe se vê enredada nos protestos que deixaram a cidade ilhada durante vários dias, depois que a companhia norte-americana Bechtel tentou subir de maneira abusiva o preço da água.

Na vida real, após a pressão popular, a empresa abandonou o mercado boliviano, o contrato da água foi cancelado e foi instalada uma nova companhia sob o controle público.

Conflito das Águas deixa no ar a questão: a obsessão pelas riquezas naturais e o espírito colonizador são apenas atributos do nosso passado?

Assista o trailer de Conflito das Águas

 


Texto em português do Brasil


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