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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022

Crianças portuguesas entre as mais desiguais da Europa

crianças

 

O relatório, desenvolvido ao longo dos anos 2013/2014 apresenta uma avaliação do bem-estar das crianças de cada país, tendo em conta quatro parâmetros: rendimentos, educação, saúde e satisfação com as condições de vida.

Foram analisados 41 países da União Europeia (UE) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económica (OCDE).

Segundo o relatório, a disparidades entre as crianças que vivem de forma mediana e as que vivem abaixo desse limar, tem vindo a agravar-se desde 2000. Sobretudo no sul da Europa, com a crise económica que, nos últimos anos, se tem vindo a sentir em vários países como Portugal, Espanha, Itália ou Grécia.

Países em que há menos desigualdades entre o perfil de crianças apresentadas têm, tendencialmente menos crianças pobres, com maior sucesso escolar, mais saudáveis e mais satisfeitas com a sua vida.

 

O  caso português

Portugal situa-se em 19º lugar na tabela geral, que agrega os quatro parâmetros analisados. Quer isto dizer que está entre os países onde há maior desigualdade no bem-estar infantil . Contudo, é um dos países onde as desigualdades estão a decrescer a um ritmo acima da média. As crianças portuguesas são, na sua maioria, insatisfeitas com a sua vida, colocando o país em 18º lugar neste parâmetro.

Portugal fica em 33ºlugar no que diz respeito aos rendimentos médios e apresenta um rácio de desigualdade na ordem dos 60,17%  entre as crianças de rendimento “médio” e as mais pobres.

No campo da educação, foram consideradas três matérias: matemática, leitura e ciência fazendo uma média dos alunos com “saldo” positivo nas três disciplinas, aos 15 anos. Além da disparidade entre crianças portuguesas ser um mau indicador,  também o índice de sucesso escolar está abaixo da média da OCDE.

Portugal está no 19º lugar da tabela relativa à relação entre a disparidade de riqueza e a educação das crianças.

As disparidades de género no que diz respeito à área da saúde dos adolescentes são generalizadas e persistentes nos vários países analisados por este estudo. Neste campo, onde Portugal melhor se situa (7º lugar), foi analisada a proporção de jovens em cada país que reportam uma ou mais queixas de saúde todos os dias – o que representa o estado de saúde das mesmas.

 

Recomendações para o futuro

Além de fazer o ponto de situação do bem-estar das crianças europeias, o estudo vai mais além, dando conselhos para que, cada vez mais, haja uma redução das disparidades infantis:

  • Proteger os rendimentos das crianças mais pobres, reforçando o papel das prestações sociais na protecção destes indivíduos.
  • Reforçar o compromisso dos países com cotação mais baixa, para reduzir as desigualdades ao nível da educação.
  • Promover e apoiar estilos de vida saudáveis para todas as crianças, permitindo assim a redução das desigualdades no acesso aos cuidados de saúde, sobretudo no que diz respeito ao género.
  • Dar voz às crianças, para que sejam cada vez mais tidas em conta pelos responsáveis políticos.

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