Diário
Director

Independente
João de Sousa

Sábado, Janeiro 22, 2022

Custos repartidos

José Cipriano Catarino
Professor (aposentado) de Português. Licenciado em Estudos Portugueses e Franceses pela Faculdade de Letras de Lisboa. Mestre em Linguística pela mesma faculdade.

O velhote pedia ao bombeiro — Precisava que vocês me viessem cortar a nogueira…— Isso arranja-se…

— Mas olha que as nozes são para os meus netos! E a lenha fica para a minha família… Mas deixa lá, e sorriu malandro, o trabalho fica para os pretos!

O bombeiro mudou de cor. Ao chico-esperto só conseguiu responder: — Bom, mas há custos…

— Custos? Que custos? Vocês têm as escadas, as serras…

E o bombeiro, a desviar a conversa: — Porque é que vossemecê quer cortar a árvore?

— Toda as manhãs, quando abro a porta da cozinha, vejo-a à frente!

— Sorte a sua, eu, de manhã, quando abro a porta da cozinha, vejo logo a minha sogra…

— Bom, mas cortam a nogueira, não é?

— Já lhe disse, há custos… Tem de falar com o comandante.

— Assim, corto-a eu! E não tenho custos.

Pois teve, mas os custos foram repartidos: ao avarento, a proeza custou a vida; aos bombeiros, retirar-lhe o corpo, esmagado pela árvore gigantesca.


Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a Newsletter do Jornal Tornado. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

 

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -