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Quarta-feira, Dezembro 8, 2021

Democracia e ignorantes racionais

Nélson Abreu, em Los Angeles
Engenheiro electrotécnico e educador sobre ciência e consciência. Descendente de Goa, nasceu em Portugal, e reside em Los Angeles.

Como fica demonstrado pelo baixo nível de participação nos actos eleitorais, o cidadão comum atribui muito pouco valor á sua responsabilidade no xadrez político, vendo o seu voto singular como relativamente insignificante no quadro geral do sistema democrático.

Como superar essa “ignorância racional”? Parece certo que a internet no seu papel de repositório de conhecimento e informação, em múltiplas perspectivas, não esquecendo  a análise por especialistas  independentes, se torna falha de sentido comum á maioria dos cidadãos.

Infelizmente, as percepções errôneas são resistentes, isto uma vez que os seres humanos não são tipicamente motivados a mudar seus pontos de vista, tendendo a procurar meios de comunicação e informação que reforçam os seus  preconceitos e paradigmas actuais. 

Também não será suficiente pedir às pessoas os seus pontos de vista. Pesquisas de opinião simples ou a noção comum de democracia directa através da internet não nos oferecem as mais  sábias respostas. Isto por que as massas não cogitam na forma como se poderá imaginar. Dificilmente refletem  quando respondem às sondagens, isto apesar das certezas que as tendências parecem evidenciar.

A menos que as pessoas estejam minimamente qualificados para se pronunciar, no limite até a pesquisa científica se torna inútil. E, quem decide quem é suficientemente lúcido acerca de um assunto?Esta é uma situação instalada há já alguns anos. Em 1995 o Washington Post comemorou o vigésimo aniversário da data em que o governo supostamente passou um ato (inexistente), perguntando aos entrevistados sobre a sua revogação.

Metade dos entrevistados disseram que o presidente Clinton queria revogar a lei. A outra metade informou que o Congresso Republicano favorecia sua revogação.

Sem reconhecer o caráter fictício da questão, todos jogaram nas respostas a sua preferência política. A maioria deu uma opinião sem ter o mínimo  conhecimento sobre a matéria.  

Não encontraremos  a solução nos políticos. Eles aproveitam-se desta situação. A saída  passa pela  cidadania participativa e por uma educação mais eficaz para formar cidadãos conscientes. 

Não é que as massas sejam estúpidas, ineptas ou imprudentes. De facto, experiências com a democracia participativa no trabalho e na política local provam o contrário. Não temos escassez de inteligência. O que nos falta é um diálogo eficaz e sentido de comunidade. Falta gente disposta a dar de si para a causa cívica.

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