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João de Sousa

Domingo, Fevereiro 25, 2024

Midnight Special. Um ET na middle America?

midnight

 

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É pena que os filmes percam parte da sua aura devido a inevitáveis spoilers. Neste caso, nem resistimos a ‘roubar’ o título do filme de Nicholas Roeg, The Man Who Fell to Earth, com David Bowie, que teve homenagem aqui na Berlinale, para apresentar Midnight Special, exibido em competição.

Pois, não se trata, efectivamente do tema do Creedence Clearwater Revival…

Jeff Nichols, o realizador dos admiráveis Histórias de Caçadeiras, Procurem Abrigo ou ainda Fuga, embarca-nos numa nova aventura na middle América, se bem que nunca estaremos preparados para esta fuga de contornos policiais e familiares, envolta por um insólito fundo de ficção científica. De resto, o realizador confessaria que a ideia para este filme lhe surgiu diante do pavor que teria de perder o seu próprio filho.

midnightAfinal de contas, tudo gira em torno de um garoto com poderes paranormais que parece identificar segredos do governo americano. O que começa por ser um rapto depressa se percebe que se trata de um pai (Michael Shannon que volta a colaborar com Nichols) e um amigo (Joel Edgerton), mas acaba por envolver o que parece ser uma seita religiosa liderada por um homem (Sam Shepard) que traduz ensinamentos recolhidos do rapaz.

Na verdade, quando vemos o rapaz não o levamos muito a sério. Um miúdo que aparenta ter menos de dez anos e que tem o pormenor de usar a toda a hora uns óculos de mergulhador azuis. Isto até que o vemos antecipar a chegada de objectos vindos do céu ou, sobretudo, quando brota dos seus olhos um potente feixe de luz…

Não deixa de ser uma surpresa (no mínimo, arriscada, diríamos) passar do admirável conto juvenil vivido em Fuga, com Matthew McConaughey e um outro garoto, para um cenário onde, de repente, passamos a estar próximo do universo de Spielberg, em particular, de Encontros Imediatos do Terceiro Grau e E.T. A que se junta a presença de Adam Driver, o Kylo Ren do último Star Wars, num papel que se assemelha muito ao de Richard Dreyfuss, em Encontros Imediatos.

O problema é que a viagem do filme que começamos a ver e aquele com que terminamos motiva-nos um exercício demasiado audaz e insólito para que Midnight Special seja totalmente levado a sério. Razão pela qual, aparentemente, o filme acabará por em Portugal seguir directamente para vídeo.

 

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