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Segunda-feira, Julho 4, 2022

Negacionismo cognitivo

Vítor Burity da Silva, Angola
Vítor Burity da Silva, Angola
Ph.D em Filosofia das Ciências Políticas. Pós Doutorado em (Educação e Psicologia). Doutor Honorário em Literatura e Filosofia. Professor Honorário de Filosofia da Educação. Professor Catedrático. Investigador da Universidade de Évora. Membro da Sociedade Portuguesa de Filosofia. Membro da Associação Portuguesa de Escritores. Escritor.

Acredito cada vez mais na cegueira. Na surdez. Na crosta seca da cabeça a leste abençoando-se no mar mais escuro da vida beber o silêncio dos que se recusam a conversar.

Que seria de mim se não tivesse nascido? Porque existem perguntas ao fundo de um túnel qualquer, escuro, quantas são as vezes em se consegue vislumbrar a tal luzinha tantas vezes ditas escritas sei onde e para quê.

Não acredito na verdade, sim, encontro-me efectivamente deslocado desse lugar de sonhos imaculados como berços de reféns e pronto, imagino-me numa maresia que me vai afundando e ainda assim remo, mesmo sem remos, contra a ostracização neste meu corpo de marfim feito num azerbeijão amarelado tantos os beijos de ventos, tudo seco e frio, que é feito da água de londres onde me banhava de raivas coladas na pele obtusa e sim, penso, por isso desisto de me aceitar vivo, acredite Helena, são estas as minhas cadenas obscenas, acredite Helena.

Porque razão nos recusamos em conversar? De que é composto o nosso cérebro?

Não sei e recuso-me em saber. O meu ninho guarda e protege animais de estimação. Goivos, não, não só goivos, existem pintassilgos de mais, sabes? Árvores camufladas disfarçam fraldas e num instante e sem alma torno-me o regente e agente dos sapatos descalços que alço porque obedecem cegamente, servos e leigos, voam alturas rasteiras num infinito cego, sim, a morada do negacionismo cognitivo, acredite Helena, cansado e farto, não, talvez nem saiba o significado real dessa coisa palavrada tipo lavra e do rio gota nenhuma e a ceifa ali, imagem e deprimente, existe afinal aquilo que nunca se viu.

Que seria de mim se tivesse morrido? Existem perguntas como eu queria? Mas porque razão fazia perguntas a quem sabia desde logo não obter resposta, não, respostas todos tiveram. Acredito cada vez mais na cegueira. Na surdez. Na crosta seca da cabeça a leste abençoando-se no mar mais escuro da vida beber o silêncio dos que se recusam a conversar.

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