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João de Sousa

Quinta-feira, Outubro 21, 2021

“O cinema nunca é o espelho da história”

Angola, o Nascimento de uma Nação

Volume III – O cinema da Independêncialivro

E, pronto, com a chegada às lojas de “O Cinema da Independência”, o Volume III da obra “Angola, o Nascimento de uma Nação”, com coordenação da jornalista e investigadora Maria do Carmo Piçarra (MCP) e o realizador Jorge António (JA), ficou concluída a obra que revê em flashback o nascimento e evolução do cinema em Angola. Uma jornada de valor inestimável que fixa um momento ímpar na história de Angola, e que vai muito mais além dos seus 40 anos de independência, convivendo muito de perto com os diversos momentos políticos: desde o período do “cinema de propaganda” promovido pelo Estado Novo, passando pelo pioneirismo, o tal “cinema de urgência” das primeiras unidades produtivas locais e ligações internacionais, até à emancipação e procura de identidade actual. Seguramente, um trabalho de fôlego editado pela editora Guerra e Paz que conjugou a recolha a colaboração e pesquisa de uma equipa maior, com acesso a arquivos privados e de instituições.

Ao longo desta jornada, começamos por “rememorar como era o cinema de propaganda do Estado Novo”, no primeiro volume “O cinema do império”, mas também através da propaganda política ou económica bem, como a forma “como o colonialismo usou os filmes científicos para se promover junto às plateias não africanas”. Antes da revolução, apenas sete longas metragens de ficção foram filmadas em Angola, por cineastas portugueses, o que, de certa forma, cumpre “um papel na manutenção da ordem colonialista”; “O cinema da libertação” veicula diferentes ensaios, desde logo “sobre a colecção de filmes feitos em Angola”, detidos pela Cinemateca Portuguesa, sobre “o surgimento do cineclubismo em Angola”, o “cinema amador” e ainda “os modos de produção em Angola”.

ANGOLAv3 Ruy Duarte

Finalmente chega-nos “O cinema da independência”, sublinhando a oportunidade de se operar uma “panorâmica” sobre uma “panorâmica do que tem sido a história desta cinematografia”. Um volume constituído pelo ponto de vista de cineastas estrangeiros durante a Independência de Angola, da efervescência da fase do cinema pós-independência (até 1985), ao período do impasse, entre 1985 e 2000, detectando “sinais de revitalização”, até 2005, até ao que é considerado “década das incertezas (2006-2015). Nesse percurso assumem especial importância o “cinema de urgência” de Ruy Duarte, evocado por MCD, bem como a entrevista a Sarah Maldoror, considerada a “matriarca do cinema angolano e a primeira realizadora negra”; por fim, mas não em último, MCP entrevista JA, o tal “rapaz dos Olivais, radicado em Luanda por amor”, que evoca a sua experiência pessoal, desde que lá realizou, em 1993, O Miradouro da Lua, a primeira co-produção luso-angolana, passando pela dinamização cultural até ao presente.

Em jeito de conclusão, MCP admite que “o cinema cumpriu e continua a cumprir um papel fundamental na sustentação mas também na questionação da ordem”. Tanto como meio de expressão artística, de fenómeno de propaganda, mas, acima de tudo, como uma “arma, como um meio de libertação”.

 

NOTA: Paulo Portugal (com Maria do Carmo Piçarra)

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