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Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

O sopro da revelação para impedir os fascistas de destruir os sonhos e a vida

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

O sonho de uma sociedade sem preconceito, sem racismo, sem violência e pela cultura da paz e dos direitos humanos também une as canções selecionadas.

Seis canções para fortalecer os ânimos da resistência ao atraso. São artistas comprometidos com a arte e com a vida. Talentos da música popular brasileira, extremamente rica e diversa. A esperança é o fio condutor destas importantes músicas que nos levam a pensar sobre os acontecimentos recentes da história do país e sobre ao ponto que chegamos com uma sociedade adoecida pelo ódio ao outro, ao diferente.

O sonho de uma sociedade sem preconceito, sem racismo, sem violência e pela cultura da paz e dos direitos humanos também une as canções selecionadas. Artistas que despontam ao lado de artistas mais conhecidos do grande público. Todos lembram que “o novo sempre vem”, como canta Belchior. Basta ouvir e pensar.

 

Flaira Ferro

Na estrada desde 2013, a cantora e compositora pernambucana Flaira Ferro esbanja talento com canções politizadas e voltadas para a mudança e para a construção de algo que suplante o sistema capitalista que oprime e impede a classe trabalhadora de sonhar.

“Mesmo que o destino
Reserve um presidente adoecido
E sem amor
A juventude sonha sem pudor
Flor da idade, muito hormônio
Não se curva ao opressor

Pode apostar
A rebeldia do aluno é santa
Não senta na apatia da injustiça
Agita e inferniza e a rua avança
Escola não tem medo de polícia”

 

Estudantes (2019), de Flaira Ferro

 

Kleiton e Kledir

A dupla gaúcha Kleiton e Kledir conta com alguns clássicos da MPB. Em “Viração”, a dupla canta a força da unidade para virar o mundo da burguesia de cabeça para baixo.

“Nos muros nos olhos do povo
Habita a mesma tristeza
Porque os braços de ferro
Nos prendem como represa
Mas o que eles não sabem
Não sabem ainda não
É que na minha terra
Um palmo acima do chão
Sopra uma brisa ligeira
Que vai virar viração
Ah mas eles não sabem
Que vai virar viração”

 

Viração (1980), de José Alberto Fogaça e Kleiton Ramil

 

El Efecto

A banda El Efecto foi formada em 2002, no Rio de Janeiro. Eclética a banda se pauta por temas sociais com mistura de gêneros musicais brasileiros com o rock. Segundo eles próprios, o grupo se movimenta “entre a angústia e a esperança, o pessimismo da razão e o otimismo da luta. Não se trata de pensar a arte como um escape para as frustrações de uma vida resignada, mas sim de tomá-la como um estímulo, um ponto de partida para questionamentos”.

“Braços baratos, curvados
Em nome de um grão
Pisados, moídos, pilados
No corpo carregam impressas
As farpas, os prantos, os calos
As marcas das veias abertas
Sombras do passado, cantos, vozes ancestrais
Movimentam rios profundos
Brota no silêncio o sopro da revelação
Que faz do grão vermelho o espelho dos mundos”

 

Café (2018), de El Efecto

 

Edu Krieger

O carioca Edu Krieger começou a carreira profissional em 2006. Com um trabalho politizado e voltado para temas sociais, Krieger se destaca no cenário atual da MPB sendo gravado por dezenas de intérpretes.

“Capricha no tempero
Azeita o caruru
Mistura o candongueiro
Com flauta de bambu
Baião, maculelê
Sanfona e caxambu

Feira livre é aqui
Leva dois maracatus com tucupi
Feira livre que só
Vale até baião de dois com carimbo”

 

Feira Livre (2009), de Edu Krieger e Raphael Gemal

 

Larissa Luz

A baiana Larissa Luz se identifica com o afrofuturismo e o afro-punk. Larissa interpretou Elza Soares na peça musical “Elza”. Ela canta o antirracismo, contra o machismo, a cultura do estupro e pela construção de uma nova sociedade.

“Não deixe que a corrida maluca da vida louca
Te jogue num precipício de mansões
Garota ninguém nos disse que seria fácil
Segura a onda, dá na cara e continuar
Não deixe que tentem te colonizar
Te converter, te doutrinar
Te alienar, eu quero voar
Escrever meu enredo
Liberdade é não ter medo”

 

Descolonizada (2016), de Larissa Luz

 

Chico César

O paraibano Chico César é um dos mais importantes nomes da MPB com um som eclético e poesia altamente comprometida com a classe trabalhadora e com a esperança. “Pedrada” é uma verdadeira pedrada no obscurantismo e fé no futuro.

“Ê, república de parentes, pode crer
Na nova Babilônia eu e você
Somos só carne humana pra moer
E o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogar
A bola incendiária está no ar
Fogo nos fascistas
Fogo, Jah!”

 

Pedrada (2020), de Chico César


Texto em português do Brasil


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