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Terça-feira, Novembro 30, 2021

Policia marroquina tortura menina saharaui de 12 anos

Isabel Lourenço
Observadora Internacional e colaboradora de porunsaharalibre.org

Hayat Moulay Ahmed Sidiya, uma menina saharaui de 12 anos, que frequenta a escola em El Aaiun ocupado, Sahara Ocidental, foi detida na escola e torturada pelas autoridades de ocupação marroquinas na Direcção de Segurança.

Hayat, que nasceu a 8 de outubro de 2008, foi vítima de tortura psicológica e física.

De acordo com a organização saharaui ISACOM, Hayat foi à escola na segunda-feira, dia 16 de Novembro, com a sua bata branca onde tinha desenhado uma pequena bandeira saharaui, a bandeira da RASD que é uma das bandeiras dos países da União Africana.

Fotos da menina foram tiradas na escola e a direção da escola chamou a policia.

Na policia, Hayat foi espancada, torturada e maltratada antes de ser libertada.

A foto tirada na escola foi divulgada nos jornais marroquinos.

As forças de ocupação marroquinas e as equipas de inteligência marroquinas cercam a casa da menina saharaui para impedir que os meios de comunicação saharauis a visitem, bem como as organizações de defesa de direitos humanos. Isto foi relatado pelo grupo Al Gargarat News e pela ISACOM, bem como por outros jornalistas saharauis e ONGs.

No entanto, membros da ONG saharaui ISACOM visitaram no passado dia 18 de Novembro a família para recolher o seu depoimento, mas a família foi imediatamente informada pela polícia que se houvesse outras visitas ou contactos com organizações de direitos humanos haveria represálias contra a menina.

De acordo com os jornalista de Al Gargarat, as forças de ocupação marroquinas ameaçaram o pai da menina que nenhum jornalista saharaui ou defensor dos direitos humanos pudesse entrar se isso se verifica-se as forças de ocupação marroquinas iam puni-lo.

Hayat está profundamente traumatizada por estes eventos e em estado de terror e pânico de ser novamente sequestrada e torturada pelas forças de ocupação marroquinas.

Este crime foi cometido por ordem do Estado por policias, agentes da inteligência, professores e jornalistas, é hediondo e uma vergonha para as suas profissões.

As crianças saharauis são diariamente vítimas do regime de ocupação marroquino há anos, conforme denunciado no relatório da Sra. Lourenço publicado pelo Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto e no Relatório sobre a Tortura da Fundação Sahara Ocidental em Espanha.


Saharawi Children and Students under occupation

Informe Fundación Sáhara Occidental: La tortura sufrida por la población saharaui bajo ocupación


Os mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas, o Secretário-Geral das Nações Unidas e os membros do Conselho de Segurança, UNICEF, bem como o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros da União Europeia, receberam ambos os relatórios, bem como dezenas de outros relatórios e informações sobre as violações de direitos humanos extremamente graves cometidas contra a população saharaui e as crianças saharauis, mas nada fez.

Os territórios ocupados do Sahara Ocidental não têm nenhuma organização internacional no terreno para proteger a população saharaui. MINURSO, a missão do capacete azul da ONU no terreno não faz nada, não cumpre o seu mandato nem dissuade de forma alguma o regime marroquino de continuar a praticar a repressão mais brutal contra os saharauis.

Na verdade, a inação e o silêncio das Nações Unidas apenas dão ao Marrocos a legitimidade para continuar os seus crimes.


Nota: a foto de Hayat com a bata foi tirada pela direção da escola e distribuída por jornais marroquinos



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