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Quarta-feira, Dezembro 8, 2021

O preocupante silêncio de Sérgio Inocente

Luís Fernando, em Luanda
Jornalista, correspondente do Tornado em Angola

Sérgio Inocente desapareceu dos radares da política doméstica por várias semanas. Ninguém mais o viu desde aquele dia em que Joni Lô, o candidato que mais medo mete, entrou a matar com o seu discurso demolidor e a roubar, para si, todo o protagonismo, o que lhe era devido e o que se pensava reservado aos adversários.

A notícia naquela terra agitada pelas eleições a caminho é um não acontecimento: ninguém sabe de Sérgio Inocente.

Os que pensam a sua campanha, espertinhos, optaram por uma retirada sabática. Ninguém os vê, tal como o candidato. De Zumba, a mulher com sonhos de primeira dama, sabe-se igualmente pouco. Apenas que não abandona o seu querido, numa hora que os exagerados interpretam como um KO irrecuperável mas que, em bom rigor, é apenas um parêntesis que se fechará a qualquer momento. Porque a batalha não pode ser deixada a meio.

– Deixai-os que digam o que entenderem. Quando reaparecermos até vão ter saudades destes dias de silêncio – sossegou Sérgio Inocente a companheira de toda a vida, na última vez em que quis falar de política em casa.

– Marido, não podes ficar mais tempo sem dar sinal. Não te esqueças das bases. Ainda pensam que te acobardaste e que os largaste à sua sorte – permitiu-se aconselhar Zumba, a medo. O esposo-candidato não anda muito receptivo, ultimamente, a palpites de fora, nem mesmo os que lhe chegam da mulher.

– Zumba, se continuas a atrapalhar os meus planos de campanha, não vai haver nem palácio nem esta casa. Pões em perigo o teu «posto» de mãe-grande – ameaçou um Sérgio Inocente visivelmente enfurecido.

Sem hipóteses nem tempo para réplicas verbais, Zumba recolheu-se à pressa na cozinha, convencida de que recuperaria o humor do seu amado Sérgio dali a instantes. Ser «mãe-grande», isto é, a mulher de toda a vida, confere-lhe um estatuto que nem a lógica por vezes irracional da política consegue subverter. O Amor, aprendeu desde muito cedo quando uniu o seu coração ao daquele político perdedor, acalma até as mágoas mais tormentosas, como parece ser a que devasta por estes dias o marido: lidar com a quase certeza de que, mais uma vez, o palácio continuará no mesmo sítio mas para outra família!

– Querido, este licor de múcua com gengibre, que é um grande relaxante, vai trazer de volta a tua boa disposição. É uma fórmula nova criada pela tua Zumbinha e traz o sabor especial do mês da mulher. Dá lá um beijinho, meu candidato!

-Ah Zumba Zumba, se não fosses a mãe querida dos meus ricos herdeiros, juro que acreditava que eras uma agente infiltrada para dar cabo da minha carreira política!

O Autor escreve em português de Angola

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