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Quarta-feira, Outubro 27, 2021

Quando o apito da fábrica te leva à luta na cidade que se fecha aos sonhos

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

As cinco canções destacadas nos remetem ao trabalho como a essência da vida. Tudo gira em torno dele e nada pode mudar para valer sem a presença da classe trabalhadora. Necessário destacar que a arte tem o poder de ajudar na transformação do mundo.

Cazuza

O que seria de nós pobres mortais sem a criatividade mordaz de Agenor de Miranda Araújo Neto, o nosso Cazuza (1958-1990). Começou carreira com o grupo Barão Vermelho nos anos 1980 e não parou de brilhar e ainda brilha, mesmo 30 anos após a sua morte.

Vai à luta mostra a sua acidez lúcida contra um mundo hipócrita e caótico.

“O pessoal gosta de escrachar
De ver a gente por baixo
Pra depois aconselhar
Dizer o que é certo e errado
Eu te avisei: Vai à luta
Marca teu ponto na justa
Eu te avisei: Vai à luta
Marca teu ponto na justa
O resto deixa pra lá
Deixa pra lá”.

Cazuza dispensa maiores comentários.

Vai à luta (1987), de Cazuza e Rogério Meanda

 

Chico Science

Outro grande nome da música popular brasileira é o pernambucano Francisco de Assis França, conhecido como Chico Science (1966-1997), talvez o principal criador do manguebeat, em 1991, movimento de contracultura surgido no Brasil a partir de 1991 em Recife (Pernambuco), que mistura ritmos regionais, com rock, hip hop, funk, soul e música eletrônica. Som sem igual que permanece com o grupo Nação Zumbi, do qual ele fazia parte e outros.

Em A Cidade ele canta que:

“E a cidade se apresenta
Centro das ambições
Para mendigos ou ricos
E outras armações
Coletivos, automóveis,
Motos e metrôs
Trabalhadores, patrões,
Policiais, camelôs
A cidade não para
A cidade só cresce
O de cima sobe
E o de baixo desce”.

A Cidade (1993), de Chico Science

 

Liniker

Liniker de Barros Ferreira Campos, conhecida como Liniker, é de Araraquara, no interior de São Paulo. Mulher transgênero, ela canta o cotidiano e o afeto. Mescla soul, jazz e samba e com sua voz potente apresenta um trabalho singular na MPB.

Os versos “Ouvi dizer que colocaram meu amor numa estante de brechó/Passe de lá e pegue ele pra mim/Borde, pinte, reinvente como tudo que você já faz” estão em Brechoque. Vale apreciar com atenção.

Brechoque (2019), de Liniker

 

Almir Sater

O sul-matogrossense Almir Sater, está na estrada da música sertaneja profissionalmente desde 1981, com inúmeros grandes sucessos, tem uma carreira consolidada e um estilo ímpar. Em Tocando em Frente divide a autoria com o paulista Renato Teixeira, outro grande nome da música sertaneja.

“Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei”,

se todas as pessoas seguissem os versos de Tocando em Frente, o mundo seria outro com certeza.

Tocando em Frente (1992), de Almir Sater e Renato Teixeira

 

Noel Rosa

Um dos maiores nomes da música popular brasileira morreu antes de completar 27 anos, mas suas canções jamais esquecidas tamanho o seu valor rítmico e poético. Noel Rosa (1910-1937), da Vila Isabel para o mundo. Subiu o morro e bebeu na fonte o samba que se fortaleceu ainda mais com sua poesia urbana. Em tão pouco tempo deixou centenas de músicas para a eternidade.

A palavra cantada de Três Apitos toca fundo: “Mas, você anda/Sem dúvida, bem zangada/E está interessada/Em fingir que não me vê/Você que atende ao apito/De uma chaminé de barro/Por que não atende ao grito, tão aflito/Da buzina do meu carro?”. Feliz da musa do grande poeta da Vila Isabel, no Rio de Janeiro.

Três Apitos (1933), de Noel Rosa; canta Maria Bethânia


Texto em português do Brasil


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