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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

“O Rio é o meu último desejo”

Marieke Vervoort, uma emblemática campeã em handisport , vai competir pela última vez no Brasil, entre 7 e 18 de Setembro, e disputar os seus últimos Jogos Paralímpicos.

Face à cruel degradação do seu estado, pondera o suicídio terapêutico.

Duas vezes campeã olímpica, Marieke Vervoort não exclui a eutanásia após o Rio 2016. “Acabarei a minha carreira depois do Rio. Depois, veremos o que a vida me trará e vou tentar aproveitar os melhores momentos, anunciou a flamenga à agência Belga. Começo a ponderar a eutanásia. Apesar da minha doença, tenho conseguido viver coisas que outros não conseguem nem sonhar.

Portadora de uma doença degenerativa incurável, a atleta belga de 37 anos sofre de mielopatia e da inexorável degradação das suas capacidades físicas. Enfrenta todos os desafios físicos, o oxigénio da sua vida, enquanto o sofrimento é constante: dores intensas, repetidas perdas de consciência e insónias, etc.

Marieke Vervoort, após a vitória nos 100 metros (T52), nos Jogos Paralímpicos de Londres, a 5 de Setembro de 2012. AFP/Adrian Dennis.
Marieke Vervoort, após a vitória nos 100 metros (T52), nos Jogos Paralímpicos de Londres, a 5 de Setembro de 2012. AFP/Adrian Dennis.

No Brasil, vai disputar, as provas dos 100 e 400 metros na modalidade de corrida em cadeira de rodas, categoria T52 , na qual foi campeã do mundo em 2015; competirá, também, nos 200 metros.

Nos JP de Londres, obteve a medalha de ouro nos 100 m e a de prata nos 200 m.

“O Rio é o meu último desejo. Os meus treinos são duros, ao mesmo tempo que tenho que combater, dia e noite, a minha doença. Na minha cadeira, as frustrações desaparecem, esclareceu.

“Nem igreja, nem café”

Numa reportagem comovente difundida em Janeiro pelo France 2 , “Wielemie”, como é conhecida, explicou estar já a preparar os documentos necessários para o processo de eutanásia, que deverão ser assinados por três médicos, de acordo com os procedimentos legais da Bélgica.

Entre 2012 e 2015, declarou à revista desportiva belga Stade 2: «Para o meu funeral não quero igreja, café ou bolos, quero que todos segurem uma taça de champagne e me dirijam este pensamento, “Salut Marieke, tiveste aqui uma bela vida, mas agora já não sofres, encontraste um lugar ainda melhor”»

Fonte: L’Express

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