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Quarta-feira, Maio 22, 2024

Rosa Vaz – A pintora cultora de afectos

Delmar Gonçalves, de Moçambique
Delmar Gonçalves, de Moçambique
De Quelimane, República de Moçambique. Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e Coordenador Literário da Editorial Minerva. Venceu o Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em 1987; o Galardão África Today em 2006; e o Prémio Lusofonia 2017.

Da Arte ao Elogio

Escrevo eu, um vate moçambicano encalhado na velha e histórica Olisipo sobre a autenticidade  dos feitiços da arte da pintura e cerâmica de um imbondeiro angolano africano embrenhado na minhota e também histórica Bracara Augusta e que dá pelo belo nome de uma flor: Rosa, quase sempre como que “simbolicamente” rodeada de espinhos protectores marcando, desde logo, a diferença.

Na verdade nunca me foi difícil como poeta pôr em prática a arte do elogio com os confrades das artes e vates. Mas como amante da verdadeira arte e da poesia nela contida em especial, aprendi a torcer o nariz, negando o elogio ou julgamento fácil porque sempre odiei a bajulação reinante nesta esfera humana do caos. Uma convencionada e regrada espécie de troca de favores de que me demarco.

É aí que nasce e surge rebelde e livre, com asas, a crítica sincera mas invariavelmente vertical, séria, descomprometida e rigorosa. A arte pela arte.

Separe-se, pois, o trigo do joio, que nem tudo é arte nem tudo é poesia e nem tudo é engenho e excelência. Ah, mas aqui há e é das entranhas de África!

Ao olhar para a pintura desta “feiticeira” das policromias encantatórias da África e da Angola profundas lembro-me por deferência da poesia das cores dos mestres  da pérola do Índico Roberto  Chichorro e Bertina Lopes e da policromia geométrica do  mestre angolano Eleutério Sanches. Nada que apague a  já longa caminhada criativa singular de autenticidade no estudo, na espontaneidade e perseverança de Rosa Vaz, carregada de uma orgia de cores e tilintar de batuques.

Indiscutivelmente a sensualidade encalorada das mulheres dos trópicos transparece convidando-nos ao deleite e alimentando nosso olhar esfomeado da intensidade da poesia das cores. Lembrando-nos a nós (de outras luas de poesia) que vivemos neste pedaço de céu da generosa Península Ibérica que estamos na Europa, junto ao Atlântico, e que somos orgulhosamente pedaços de pau preto de África disseminados pelo mundo (de onde ambos somos provenientes na geografia humana). Uma diferença que só nos enriquece e ainda mais na Arte.

Os seus trabalhos pictóricos policromáticos de qualidade inegável sintetizam-na e transcendem-na. A poesia das cores, o sonho na poesia, a realidade, a nostalgia e o automatismo psíquico estão indesmentivelmente na origem da concepção de toda a sua obra, quer na pintura quer na cerâmica atingindo a excelência dos mestres.

O grito da África profunda lá está e não engana.

Bayete.

 

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