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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

Um exercício de inteligência, nada mais!

Há dois vetores a ter em conta no comportamento dos Homens por serem sociologicamente os mais comuns, a saber: o pragmatismo e a consciência.

Estes dois vetores são de atitude transversal em que assenta o comportamento comum em sociedade.

O pragmatismo que reporta aos meios que melhor conduzem aos fins pretendidos.

A consciência que reflete comportamento equilibrado por sensato e que tem em conta o meio envolvente como condição.

Ora, nos tempos que correm, a condição de sobrevivência já não é motivo principal, num quotidiano complementar porque se lute.

O motivo central de luta quotidiana passou a ser o da melhoria da qualidade de vida que as gerações foram conquistando e legando à geração seguinte.

Neste contexto, os diversos segmentos das sociedades organizadas por interesses: de hierarquias, de classe, ou outro, em torno de interesses comuns, foram eliminando assimetrias, barreiras, e outros fatores de diferenciação entre as classes sociais; etnias; raças; credos; e outros, existentes; visando um objetivo claro: o da melhoria das condições de vida das populações em geral, e do conhecimento em particular, mas que, por circunstâncias afetas à evolução se generalizou também.

Estas duas condições: de vida, por imperativos óbvios; e do conhecimento na busca constante de um saber que permita ao Homem vislumbrar para além de si próprio; tem sido, ao longo dos tempos o mote das várias correntes do pensamento ideológico. Sendo que por ideológico não é correto aferir pensamento político-partidário. Até porque a expressão do pensamento avoluma mais conteúdo filosófico do que qualquer outro.

Esta dinâmica funcional da organização social tem permitido avanços significativos à espécie Humana desde a sua existência no Planeta.

Avanços esses, com maior expressão social no período de transição do século XX para o século XXI, nos domínios antes referidos.

Da dicotomia inicialmente descrita, pragmatismo e consciência, importa, para o fim à discussão, reportar ao tempo presente. Tempo em que se questionam mais os Homens do que a sua organização política e social.

Ora, dessa organização, o modelo é o cerne.

E, o modelo, tem nos partidos políticos e demais agentes sociais, a sua matriz de identidade coletiva.

Uma identidade que não renega o cordão umbilical porque esse é o embrião genético dessa mesma identidade.

Nesta linha de raciocínio é legítimo tentar perceber o que leva uma determinada geração a ajuizar ter sido a única a fazer caminho.

Uma condição que legítima o juízo de que uma geração que assim pensa não tem a mínima noção da responsabilidade social e histórica do legado transitado.

Um legado que não admite roturas por impossibilidade de juízo e de senso racional.

Quanto muito, admite novos caminhos. Novas perspetivas. Novas soluções.

O que tem sido uma condição constante e que terá de continuar a ser.

Porque, todo o legado transitado é intrínseco à construção dos valores de suporte ao intelecto que cada um dispõe:

  • À memória;
  • Ao passado;
  • Ao presente;
  • Ao futuro!

Desde o Homem das cavernas ao Homem das cidades!

Não compreender esta evidência é não perceber que uma sociedade para estar organizada tem de ter regras e de que qualquer processo, revolucionário que seja, também tem as suas regras. E que essas regras interagem com as regras em vigor que só serão alteradas em circunstância de ocorrência de processos revolucionários, a seu tempo.

  • É dos livros!
  • É da História!
  • É um mero exercício de inteligência, nada mais!

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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