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João de Sousa

Quinta-feira, Outubro 21, 2021

Velhices

Yvette Centeno
Licenciou-se em Filologia Germânica, e e doutorou-se com uma tese sobre A alquimia no Fausto de Goethe. É desde 1983 Professora Catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde fundou o Gabinete de Estudos de Simbologia, actualmente integrado no Centro de Estudos do Imaginário Literário.

Poema de Yvette Centeno

Velhices

Como é possível dizer

deste ou daquela

que a sua velhice é boa

é bela

quando as rugas da vida

se afundaram na pele

agora cinzenta e baça

os olhos perderam

o brilho

e a alegria de ver

a luz de outrora

as mãos

frágeis e trémulas

nada conseguem

agarrar

nem a colher da sopa

nem o copo ao lado

como é possível dizer

sem querer enganar

verdade o coração bate

é ainda um relógio

com ponteiros que rodam

por vezes certos

por vezes distraídos

mas haverá um dia

um dia incerto

em que cai um ponteiro

e ficará parado

e o coração perdido

Lisboa, 10 de Abril, 2021

 

A Persistência da Memória, de Salvador Dalí


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