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Segunda-feira, Agosto 15, 2022

Viradouro é campeã do Carnaval carioca ao cantar a liberdade e a emancipação feminina

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Com um forte recado aos catastrofistas de plantão a escola de samba Unidos do Viradouro, de Niterói (RJ), venceu o Carnaval na acirrada disputa na Cidade Maravilhosa, capital do estado.

A escola levou para a Marquês de Sapucaí o tema “Viradouro de alma lavada”.

Para contar a história das Ganhadeiras de Itapuã, mulheres escravizadas que lavavam roupas na Lagoa do Abaeté, em Salvador, capital da Bahia, e faziam outros serviços para comprar a carta de alforria e conquistar em definitivo a liberdade.

Contar a história do ponto de vista da classe trabalhadora é fundamental para entendermos o racismo e o machismo como marcas da sociedade brasileira em pleno século 21”.

A Revolta dos Malês (1835) e a Sabinada (1837-1838) foram movimentos importantes contra o regime escravista após a Independência, conquistada em 1822, e o Brasil tornar-se um Império mantendo a escravidão como modo de produção.

“A Viradouro soube mostrar a participação de Luiza Mahin, uma escrava, na liderança dessas revoltas contra o regime escravista, pela liberdade e por terras para os escravizados”, acentua Mônica. Lembrando que a Abolição da escravatura só veio em 1888, sendo o Brasil o último país do Ocidente a pôr fim à escravidão. Luiza foi mãe do “Advogado dos Escravos”, Luiz Gama.

Para Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ, “os temas tratados pela escola campeã são muito caros ao bolsonarismo porque mostram a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores escravizados pela superação desse sistema e desmente a ideia de que houve pouca ou nenhuma resistência ao escravismo”.

De acordo com ela, o governador Wilson Witzel e o prefeito Marcelo Crivella, da capital fluminense, além de Jair Bolsonaro na Presidência, “acabam com políticas públicas fundamentais para a luta antirracista e pela igualdade de gênero e isso faz o tema da Viradouro ganhar ainda mais importância”.

Por isso, diz Mônica, “precisamos amplificar os temas da maioria das escolas de samba deste Carnaval para a maioria da população ter acesso às mensagens e dessa forma entender os perigos de se apoiar governantes que defendem o ódio e a violência, o racismo e a misoginia”.

“Levanta, preta, que o Sol tá na janela
Leva a gamela pro xaréu do pescador
A alforria se conquista com o ganho”

Dizem versos do samba enredo de autoria de Anderson Lemos, Carlinhos Fionda, Cláudio Russo, Dadinho, Diego Nicolau, Júlio Alves, Manolo, Paulo César Feital e Rildo Seixas.

E complementam:

“São elas, dos anjos e das marés
Crioulas do balangandã, ô iaiá
Ciranda de roda, na beira do mar
Ganhadeira que benze, vai pro terreiro sambar
Nas escadas da fé
É a voz da mulher”.

8 de março – Dia Internacional da Mulher – está aí para a luta das mulheres por igualdade de direitos tomarem as ruas de todo o país e fazer valer a luta de nossos antepassados. A liberdade depende de nós.


Texto em português do Brasil


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