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Sábado, Outubro 23, 2021

Angola: Autoridades apreendem discos de homenagem aos “15+2”

Francisco Do Nascimento, em Luanda
Correspondente em Luanda, Angola

As autoridades consideraram que a colectânea contém mensagens subversivas.

Mais de 800 discos de uma colectânea que visa homenagear os activistas do conhecido processo “15+2″ foram confiscados pela Administração Geral Tributária(AGT), um orgão ligado ao Ministério das Finanças.

A denúncia foi feita pelo director artístico do álbum, Harvey Madiba, que diz que as autoridades consideraram que a colectânea contém mensagens subversivas.

Os discos provenientes de Portugal foram apreendidos pelas autoridades, que se recusam a devolvê-los. Harvey Madiba afirmou que o chefe da Delegação Aduaneira da Alfândega no Terminal de Cargas, Anlide Lufuangula, lhes deu a conhecer que a mercadoria estava a ser apreendida, por conter conteúdo subversivo que representa riscos para o Estado angolano.

Conteúdo “subversivo”

De acordo com o mesmo produtor, Anlide Lufuangula examinou o conteúdo “subversivo” no seu gabinete, tendo ouvido mesmo três faixas do álbum.

Entretanto, Madiba promete que o caso não fica por aqui e afirma que não desistirá até recuperar os CDs apreendidos. O produtor realça também que a música estará disponível nas plataformas digitais, e caso as autoridades se recusem a devolver os discos, irão disponibilizar a obra via internet:Mesmo com esta apreensão, ainda temos outras cópias espalhadas pelo mundo. É uma coisa que eles não podem parar. Temos o álbum todo no “Spotify”, na ”Apple Music”, e os outros países só estão à espera do lançamento oficial da obra, porque queremos fazê-lo aqui no nosso país.”

“15+duas+nós”

O Álbum que tem como título “15+duas+nós” estava a ser preparado já há alguns meses, e conta com a colaboração e participação de vários artistas angolanos, moçambicanos, portugueses e brasileiros, que se juntaram na mesma obra, com um único objectivo: Realçar a coragem e bravura dos activistas presos durante mais de um ano, por actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores, que no entanto foram amnistiados.

Segundo os produtores, o dinheiro da venda da colectânea serviria para apoiar os activistas homenageados. Dentre os artistas participantes do álbum, destacam-se os músicos angolanos: MCK, Mona Dya Kidi, Kool Klever, Kid MC, Doutor Romeu, Sanguinário, Raf Tag, Fat Soldiers, o Poeta Fridolim Kamolakamwe, etc. Do Brasil, o álbum conta com a colaboração de DJ Preto, Pamelloza e Gog. De Moçambique, o álbum conta com um total de dez artistas, como Milton Gulli, Ângelo Comé e  Bruno Huca, que interpretam, em estilo marrabenta, a faixa “Angola ninguém te enrola”. De Portugal vem, em trova, o hino “Liberdade já”, pela voz de Joana Alegre e Bernardo Fesch.

De realçar que várias figuras da sociedade civil angolana mostraram-se dispostas a aderir a essa iniciativa, e aguardavam apenas pelo dia do lançamento do álbum.

O autor escreve em PT Angola

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