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Sexta-feira, Dezembro 2, 2022

Carlos Bernardes é candidato apesar da acusação de plágio em doutoramento

Joaquim Ribeiro
Joaquim Ribeiro
Jornalista

Carlos Bernardes assumiu a presidência da Câmara após a saída de Carlos Miguel para o Governo , há cerca de um ano, e concorre ao cargo pela primeira vez como líder da lista.

O anúncio da candidatura surge numa altura em que paira sobre Carlos Bernardes a suspeita de ter plagiado vários autores, sem os citar, na sua tese de doutoramento. A denúncia surgiu nas páginas do jornal local, o Badaladas, através de um artigo de Jorge Ralha, antigo vereador do mesmo partido.

Com o título “Depois das ‘licenciaturas do Sócrates e do Relvas, não precisávamos dos plágios do Carlos Bernardes”, o artigo de Jorge Ralha acusa o actual presidente da edilidade de ter copiado várias páginas na sua tese de doutoramento “As Linhas de Torres Vedras: Um destino turístico estratégico para Portugal”, no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território e na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, já editado em livro.

O autor do artigo divulga alegadas provas do plágio em diversas páginas da dissertação. A revelação caiu como uma bomba no seio da sociedade torriense, com algumas figuras locais a revelarem estupefacção pelo sucedido.

O historiador Joaquim Moedas Duarte apressou-se a divulgar que foi verificar as acusações e, após investigação pessoal, confirmou o plágio. Do lado contrário, Casimiro Ramos, director do ISPO (Instituto Superior Politécnico do Oeste), do Grupo Lusófona, onde Carlos Bernardes fez a licenciatura, veio defender publicamente o acusado.

Carlos Bernardes respondeu a Jorge Ralha nas páginas do jornal Badaladas da semana seguinte, onde afirma que “o trabalho académico desenvolvido por mim resultou num conjunto de investigações sobre a temática em estudo e foi corrigido ao longo da sua realização. Não tendo sido utilizados gestores bibliográficos automatizados é natural que haja a falta de uma ou outra citação, atenta a extensão da obra. Solicitei aos meus orientadores a respectiva verificação, estando disponível para corrigir eventuais falhas que se julguem necessárias”.

A Universidade de Lisboa anunciou entretanto que está a proceder a averiguações internas no sentido de apurar se a tese de doutoramento contém ou não plágios.

Parecendo alheio à polémica, Carlos Bernardes avançou mesmo com a candidatura à presidência da Câmara de Torres Vedras. Na apresentação afirmou que pretende eleger seis vereadores (igual número dos eleitos do PS actualmente, numa Câmara com um total de nove vereadores). Para isso anunciou uma equipa com os mesmos nomes do actual executivo socialista: Laura Rodrigues, Ana Umbelino, Bruno Ferreira, Hugo Lucas e Cláudia Horta Ferreira, todos eles já em funções no presente mandato.

Carlos Bernardes, de 48 anos, revelou que nos próximos quatro anos pretende continuar a investir no parque escolar do concelho, no combate à exclusão social e no desenvolvimento económico através da atracção de investimento.
Na mesma ocasião foram também apresentados todos os candidatos às 13 freguesias pelo PS. Este é o segundo candidato à Câmara de Torres Vedras conhecido, depois do anúncio de Marco Claudino pela coligação PSD-CDS.

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