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João de Sousa

Domingo, Agosto 14, 2022

Contra a exploração de petróleo no Algarve

Petróleo no Algarve

A Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC) promoveu, na Terça-feira, em Faro, uma sessão de esclarecimento pública na qual participaram também responsáveis pelas empresas que têm as concessões para a prospecção de gás e petróleo no Algarve.

A ideia era, segundo referiu o presidente do ENMC, Paulo Carmona, “desmistificar esta questão” e mostrar que tudo é transparente e que “não há perigo para a região”. Desde logo porque ninguém sabe se há ou não petróleo e gás no Algarve. O que está em causa, nesta altura, é apenas retirar amostras geológicas para desenvolver estudos, o que não acarreta nenhum perigo, defendeu.

É até muito provável que não se encontre petróleo nem gás, tendo em conta que até agora “já houve 177 sondagens em Portugal” e nada foi descoberto. Se assim for, o Algarve “fica a ganhar”, uma vez que beneficia do conhecimento mais aprofundado do que tem no seu subsolo e no fundo do mar, que se consegue com estes trabalhos.

Se, no entanto, realmente se constatar que há petróleo ou gás com condições para ser explorado, para Paulo Carmona, isso será muito positivo para o país. Mas, nessa circunstância, “será cumprida a lei”, que implica a realização de estudos de impacto ambiental e consultas públicas. Além de que, mesmo que se acabe por decidir avançar para a exploração de petróleo e gás, na prática, pelas suas contas, isso só acontecerá daqui a quatro ou cinco anos.

As suas explicações não parecem ter convencido a generalidade dos autarcas, dirigentes associativos e cidadãos comuns que encheram o auditório da Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve. O argumento de que, para já, o processo não tem riscos não foi bem acolhido, uma vez que se trata do primeiro passo de uma caminhada que as empresas e, pelos vistos, a Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis, esperam e desejam que resulte na exploração de petróleo e gás na região.

O presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, Jorge Botelho, sintetiza o sentimento geral ao dizer que o que é preciso “é parar este processo”. Até porque a simples difusão da notícia de que se vai explorar gás e petróleo no Algarve pode ter “impactos negativos sobre o turismo” que, como se sabe, é a principal actividade económica da região.

Aliás, no dia anterior, a AMAL e dirigentes de algumas das principais associações empresariais do Algarve tinham aprovado uma moção na qual davam parecer negativo a todo o processo. Tal como havia sido expresso numa anterior posição dos autarcas, também nesta se volta a contestar “o secretismo e a ausência de informação dos sucessivos governos aos municípios”. Os resultados da eventual exploração de gás e petróleo “põem em risco a economia da região e não justificam os danos ambientais e sociais que daí possam advir”, pelo que a ideia deve ser colocada de parte e avançar-se em força para a utilização de energias renováveis.

Leia também: Vamos mesmo ficar ricos se for descoberto petróleo no Algarve?

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