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Quinta-feira, Julho 18, 2024

Há 47 anos Deep Purple chegava à América

Com a estreia de “Shades of Deep Purple” banda inglesa dava primeiros concertos nos EUA

O final da década de 60 foi marcado pelo surgimento de um punhado de bandas britânicas que rompiam com o “pop-sound” até aí reinante, impondo um som bem mais pesado, apoiado em gritantes “riffs” de guitarras e numa secção rítmica potente, de batida fortíssima. E à cabeça dessas novas bandas surgiam os Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. Nascia assim o “hard rock”, percursor do “heavy metal”.

DEEP PURPLE SHADES OF LPEm 1968, um grupo de músicos ligados a várias bandas pop dos “sixties”, como The Seachers e The Flowerpot Men, juntaram-se à volta do teclista Jon Lord (um músico com formação clássica) para formarem uma nova banda, que seria completada com a entrada do guitarrista Ritchie Blackmore e do vocalista Rod Evans, mais tarde substituído por Ian Gillan. Surgiam assim os Deep Purple, que em Setembro de 1968 entraram em estúdio pela primeira vez para gravarem o seu álbum de estreia – “Shades of Deep Purple”.

Este primeiro LP reflecte já o que seria o percurso de sucesso da banda, mas ainda algo distante do ambiente sonoro mais pesado, característico da maior parte dos discos dos Deep Purple. Com oito temas no cardápio, “Shades of Deep Purple” apresenta surpreendentes versões de “Help”, dos Beatles e de “Hey Joe”, de Jimi Hendrix, mas também um tema – “Prelude: Happiness” – baseado na obra de um grande compositor clássico, Rimsky-Korsakov. E o disco tinha ainda uma canção, “Hush” (ver vídeo), escrita por Joe South, que posta à venda num pequeno single iria ter grande sucesso, sobretudo nos Estados Unidos.

 

A banda inglesa era mais uma a ter sucesso nos tops do outro lado do Atlântico, mesmo antes de ter reconhecimento semelhante no seu país, como também acontecera com os Led Zeppelin. Em finais de Novembro de 1968, os Deep Purple partiram para os EUA para a primeira de muitas digressões por terras norte-americanas e a 28 de Novembro de 1968, faz hoje 47 anos, davam o primeiro de quatro concertos no famoso Fillmore West, em São Francisco, na Califórnia.

A partir daqui a carreira da banda, que teve várias saídas e entradas de músicos ao longo dos ano, foi de total sucesso, sobretudo até finais da década de 70, embora os Deep Purple tenham prolongado a sua carreira até ao presente século. Preparavam mesmo um regresso em força quando o teclista Jon Lord – um membro crucial na história da banda – faleceu em Londres a 12 de Julho de 2012.

deep purple + orquestra fotoO notável e longo currículo discográfico dos Deep Purple ficou marcado por alguns dos melhores álbuns de “hard-rock” da história da música, casos de “The Book of Taliesyn”, “In Rock”, “Fireball” e “Made In Japan” e “Machine Head”. Em Setembro de 1969 os Deep Purple protagonizaram um histórico momento com um concerto no Royal Albert Hall com a The Royal Philharmonic Orchestra, conduzida pelo maestro Malcom Arnold. Grupo e orquestra interpretaram uma obra de Jon Lord, com letras de Ian Gillan. Era a primeira vez na história que a música clássica e o Rock se cruzavam em palco de forma tão evidente. Este concerto, que causou polémica junto dos meios da música clássica, causando repulsa mas também aplausos, foi gravado e o LP original de vinyl é uma raridade preciosa. O concerto foi também filmado e então difundido pela BBC, mas também por outros canais, caso da RTP.

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