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Quarta-feira, Dezembro 8, 2021

Jerónimo de Sousa: “Sim, é possível!”

avante-2016.ca

 

Na intervenção política que marca tradicionamente a abertura da Festa do Avante, Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do Partido Comunista Português (PCP) fez uma análise das condições políticas de há um ano atrás, enumerou os pressupostos que conduziram ao suporte parlamentar do actual governo e deixou claros quais os objectivos que o PCP entende necessários para prosseguir o caminho que considera premente e possível:

“Há um ano atrás, num quadro em que os trabalhadores e o povo português eram confrontados com um ataque em grande escala desencadeado pelo governo PSD-CDS ao longo de 4 anos do seu mandato, determinado em arrasar salários, rendimentos e direitos, serviços públicos, executando o Pacto de Agressão a toque de caixa dos centros de decisão da União Europeia, aparentemente de pedra e cal com a sua maioria na Assembleia da República, no Governo e sob o mandato protector do então Presidente da República, com os poderosos megafones da comunicação social dominante a proclamarem as inevitabilidades, o conformismo, o desvalor da luta, arrancámos para a batalha das legislativas.

Fomos para a batalha das legislativas com a consciência que tinha de se aliar o voto à luta.

E no dia 4 de Outubro a maioria do povo português aplicou uma derrota pesada ao PSD/CDS deixando-os em minoria na Assembleia da República. Uma derrota, também, dessa mistificação das eleições para 1º Ministro, que não existem.

Foi com base na alteração da composição na Assembleia da República, quando a direita se preparava para transformar uma derrota numa vitória, continuar no governo para dar cabo do resto e acelerar a política de exploração e empobrecimento, que o PCP avançou com a possibilidade de uma solução política.

Sim, tínhamos consciência que com um Governo do PS e o programa do PS as questões de fundo e os problemas estruturais dificilmente encontrariam as respostas necessárias.

Mas havia duas questões urgentes!

Em primeiro lugar impedir que o governo PSD/CDS prosseguisse a sua política de terra queimada e em segundo lugar, com a nova fase da vida política nacional, que fosse encetado um caminho de reposição de salários, rendimentos e direitos, reposição de horários de trabalho, salvar serviços públicos como a Saúde, a Escola Pública, o carácter universal da Segurança Social, travar privatizações anunciadas ou em curso, suster a sangria da emigração, devolver feriados roubados e abonos de família, eliminar taxas moderadoras, suster a pobreza e o número crescente de pobres.

Se na situação actual há que não voltar atrás e prosseguir a reposição de salários, rendimentos e direitos, nós consideramos ser incontornável a necessidade de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que nos liberte das grilhetas que nos amarram, potencie os nossos recursos, ponha Portugal a produzir, dê valor ao trabalho com direitos, combata o desemprego e a precariedade, defenda o direito à saúde, o acesso ao ensino, proteja socialmente a infância e a velhice.

Essa necessidade é inseparável da possibilidade. Sim é possível!

O PCP, mantendo os compromissos e a palavra dada, não regateará nenhum esforço na sua acção e intervenção, na sua proposta para que se concretize uma nova política.

Mas certo e seguro é que sem a luta dos trabalhadores e do povo, sem o reforço do PCP, sem a convergência dos democratas e patriotas, mais tempo demorará a concretizar a possibilidade real de uma vida melhor num País que terá tanto mais futuro quanto mais soberano for e mais for o povo a decidir!”

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