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João de Sousa

Terça-feira, Outubro 26, 2021

May day… May day… May day

Enquanto uns apreendem a contornar as turbulências e conhecer a rota, dentro de um avião cheio de passageiros ansiosos pela terra prometida, outros se instruíram fazendo primeiro um simulacro, onde se aprende até a usar os sacos para o enjoo….

Uma vez viajei num voo domestico, era apenas uma viagem de 45 minutos mas parecia uma eternidade por não sei bem qual o motivo, mas parecia que as nuvens estavam esburacadas, quase esmaguei o braço do senhor sentado ao meu lado que amavelmente tinha-se oferecido para acalmar-me, no fim da viagem descobri que era um padre… Ainda bem que eu acredito em milagres… Pois ouvi dizer que as cadeiras dos aviões não são nada baratas.

Apesar de se conhecerem as rotas e em alguns casos as condições climáticas, acidentes aéreos acontecem todos anos, “exterminando” centenas e centenas de pessoas, por isso é necessário fé, comunicação, trabalho de equipa e sobretudo uma boa orientação, e em alguns casos aterragens de emergência para a identificação e possível reparação das avarias.

Os controladores de tráfego são os olhos do piloto, que orientam a fluidez e nos permitem a aterragem segura, um aeroporto bem organizado e iluminado, também ajuda, enquanto esperamos desesperados que o voo se estabilize… Para-quedas cifrados povoam o céu, identificados “visionários” que decidiram pular antes da colisão. Safa-se quem puder… Será que irão servir alguma coisa para amenizar o pânico ou ficamos só pelas máscaras de ar?

Será que a voz treinada da aero-moça ainda nos pode dar algum conforto? Ouvi que antigamente serviam-se em copos descartáveis whisky de malte puro… Uma autêntica maratona para beber e esquecer as malambas. E hoje os passageiros só querem que baixe o preço da cesta básica… Aí o saco de arroz… May day… May day… May day… código internacional para pedir socorro mas a quem??? O código Morse foi hipotecado ao FMI.

Aí não sei o porque que estou a falar de voo se só andei nele duas vezes e o bonitão, nunca pisou num aeroporto.

Para falar a verdade bom mesmo seria ouvir uma música do Ricardo Lenvo, digeri-la com uma caneca de cerveja, para afogar este calor… Até parece que deixaram as portas do inferno abertas… Mosquitos e calor, a combinação perfeita para a insónia, nem sonhar se pode… O horizonte visual se dissipa nos olhos opacos de quem amanhece ajoelhado orando por dias melhores e o milagre de uma fonte de rendimentos e suprimentos. É básico o problema do povo, quem tem boca vai a Roma e quem não tem fé também vai.

Quero mesmo é ouvir Habariaco, em silêncio…. e as baforadas imaginárias nem pensar… Ainda me cozem os pulmões… Epá enfim a partir de agora vou o trilho mucubal, sendo orientada pelo ritmo da manada. O cabrito come onde está amarrado… Eu não sei se gado come welwitcha, pois é a única planta que cresce no deserto seco. Peregrinar pelas promessas de quem descobriu a definição de mentira, quando se viu sem meios de as cumprir.

Ufa até que enfim uma brisa… Por favor não me digam que o gás acabou.


A autora escreve em PT Angola


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