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João de Sousa

Segunda-feira, Maio 23, 2022

O Eurofestival Ucraniano

NINM
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Colaboração do Núcleo de Investigação Nelson Mandela – Estudos do Humanismo e de Reflexão para a Paz (integrado na área de Ciência das Religiões da U.L.H.T.)

Ao festejarmos a realização de um Eurofestival de canções, legitimamos este formato nostálgico que perdura e que nos traz a razão de escrever estas linhas.Ao festejarmos de modo (muito intensamente ingénuo) a realização de um Eurofestival  de canções, efeito surpreendente dando-se a evolução dos tempos que oferecem muito maior qualidade alternativa em matéria de entretenimento – em programas e mais programas, noutros festivais e múltiplos eventos onde o que possa ser considerado talento se evidencia por vezes com muito mais expressão e consequências -, legitimamos este formato nostálgico que perdura e que nos traz a razão de escrever estas linhas.

Por detrás dos grandes efeitos especiais tecnológicos, por vezes de exuberância desavinda, e da aparente alegria e dos emotivos momentos de palco e plateias, há pelo menos  uma realidade escondida: o País anfitrião, a Ucrânia, é mais um local do mundo ameaçado, onde os efeitos da política se fazem sentir na diminuição das liberdades individuais e coletivas.

Recorde-se que a Ucrânia foi invadida pela Rússia

Para quem não sabe, não se lembra ou simplesmente franze o sobrolho e olha para o lado, recorde-se que a Ucrânia, em Fevereiro de 2014, foi invadida pela Rússia: forças russas violaram fronteiras e criaram um estado de guerra, de feição imperialista e colonial, ocuparam a Crimeia e anunciaram, de seguida, que aquele território passava a ser parte da Rússia.

A comunidade internacional pouco fez para enfrentar a Federação Russa, apesar da maior parte dos estados não reconhecer a anexação. Talvez por isso, a opinião pública, em 2015, quis passar um recado e participou no Eurofestival pelo voto, escolhendo a Ucrânia como vencedora, forma débil mas de certa forma expressiva de apontar uma injustiça e chamar a atenção para um país soberano onde a violação de direitos, de soberania, de liberdade de autoafirmação se revelava.

Na Ucrânia vive-se hoje um clima irregular, de submissão, medo e vigilância perante a ameaça russa. A Constituição do país consagra princípios fundamentais, prevendo liberdades como a liberdade religiosa e de culto, porém com ressalvas: a mesma “pode ser restringida por lei no interesse da proteção da ordem pública, da saúde e da moralidade da população, ou para proteger os direitos e liberdades de outras pessoas” (!!!). 

A mesma Constituição declara a separação entre Igreja e Estado. O Ministério da Cultura criou um grupo de trabalho para resolver os conflitos inter-religiosos. O país tem mais de 80 por cento de cristãos (Católicos, 11,3%; Ortodoxos, 52%; outros, 19,3%), 1,6% de Muçulmanos; e 14, 7% de outras filiações de carácter religioso.

Diga-se também que para os tártaros da Crimeia, as identidades religiosas e étnicas mantiveram-se estreitamente interligadas, o que torna difícil categorizar o mau tratamento como intolerância religiosa ou étnica.

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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