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Segunda-feira, Julho 4, 2022

Onde está Maddie McCann

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Colaboração do Núcleo de Investigação Nelson Mandela – Estudos do Humanismo e de Reflexão para a Paz (integrado na área de Ciência das Religiões da U.L.H.T.)

Alguns canais de televisão, com especial destaque em Portugal e no Reino Unido, reanimaram, dez anos depois da data dos principais acontecimentos do desaparecimento de Madeleine Mccann, de um aldeamento turístico português, em circunstâncias nunca esclarecidas.

Alguns canais de televisão (europeus e, criando eco, outros, fora da Europa), com especial destaque em Portugal e no Reino Unido, reanimaram, dez anos depois da data dos principais acontecimentos que agora revisitaram, um dos casos mediáticos que mais apaixonou as plateias: o desaparecimento de uma menina, a inglesa Madeleine McCann, de um aldeamento turístico português, em circunstâncias nunca esclarecidas.

O fervor noticioso que agitou agora a evocação do décimo aniversário, não teve comparação com acontecimentos de muito maior dimensão, tratados todavia como rodapés – ou mesmo ignorados.

Em Março, por exemplo, Portugal recebia um recado do Conselho da Europa que aconselhava Portugal a melhorar os mecanismos de identificação e proteção das crianças vítimas de tráfico. Num relatório do Conselho da Europa assinalavam-se, todavia, os progressos do país nesta matéria desde 2013.

Recomendações: melhorar assistência e serviços prestados

É o segundo documento desta natureza sobre Portugal e sobre este tema, publicado pelo Grupo de Peritos para a Ação contra o Tráfico de Seres Humanos (GRETA), sendo que este sugere que as autoridades melhorem a assistência e os serviços prestados a crianças vítimas de tráfico, incluindo alojamento adequado, e acesso a educação e formação profissional.

O GRETA manifesta-se também preocupado com a fuga de instituições de crianças não acompanhadas, uma situação que deve ser resolvida com alojamento adequado e pessoal devidamente treinado ou pais adotivos. No documento, o grupo lamenta o baixo número de vítimas de tráfico que recebe indemnização e pede às autoridades que assegurem o exercício do direito à indemnização, nomeadamente certificando-se do cumprimento de legislação sobre congelamento e confisco de bens para assegurar a compensação de vítimas. O relatório desafia as autoridades portuguesas a garantirem que os casos de tráfico de seres humanos sejam investigados e levem a sanções proporcionais ao crime e dissuasoras.

Diga-se em abono que Portugal criou em 2008 o Observatório do Tráfico de Seres Humanos e o Plano Nacional de Prevenção e Combate ao Tráfico de Seres Humanos, já em terceira edição.

Maddie McCnn e “meninas” do Boko Haram?

Em segundo plano noticioso, nitidamente, ficou também a divulgação de mais um vídeo que mostraria algumas das dezenas de meninas sequestradas em Chibok, Nigéria, em abril de 2014. O grupo terrorista nigeriano Boko Haram divulgou as imagens.

Sobre o destino destas meninas correu um véu obviamente não islâmico: o véu do desinteresse internacional, o silêncio cúmplice da comunidade  internacional, oposto ao silêncio das inocentes.

Recordamos como o sequestro gerou inicialmente a emoção internacional e uma campanha global pedindo pela libertação das estudantes, envolvendo celebridades e altas autoridades em todo o mundo foi posto em marcha. Passaram-se entretanto mais de três anos.

No vídeo, cerca de 50 meninas, usando véus, aparecem atrás de um militante do Boko Haram que pede a libertação de combatentes do grupo em troca das estudantes sequestradas.

Sabemos onde estão todas estas crianças, de Maddie às meninas da Nigéria: ocultas da vida, abandonadas no lado pior do mundo, o do esquecimento e o da indiferença de (quase) todos nós.

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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