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João de Sousa

Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

Onde a moeda não tem valor

Sobre|Viver – Amazónia…

Parece que partir é quase sempre a solução: deixar emprego, família, amigos e demais coisas é o ponto de chegada que os lança no desafio… na viagem para um olhar diferente.

E o ponto de chegada é também o mundo. As pessoas. E gentes que vivem em comunhão com a selva, sem electricidade, telefone ou água canalizada. “Sobre|Viver” partilha as estórias destas gentes – “pessoas normais a viver em condições extraordinárias”.

Sobre|Viver

O percurso pela maior floresta do planeta encalha no rio Beni, com cerca de 1200 quilómetros de extensão, em plena selva amazónica boliviana, na fronteira com o Brasil. Longe de cuidados médicos básicos, dependentes da troca que a terra lhes pode doar, as comunidades do Beni “trabalham para o bem comum” e “lutam todos os dias pela sua sobrevivência”.

As imagens deste Beni ainda lhes invadem o dia-a-dia, quando abrem a torneira ou se sentam no sofá. Conhecer paradigmas de vida diferentes “abalaram-lhes convicções de um modo abrupto”. Cruzaram-se “fugazmente com pessoas tenazes” que não vão reencontrar”. E sentem-se verdadeiramente privilegiados por “escutar estórias” que decidiram materializar. Tiago Costa, repórter multimédia; Inácio Rozeira, viajante; António L. Campos, fotógrafo e Eduardo Madeira, jornalista são os quatro aventureiros que trouxeram na mochila o som, o cheiro, as imagens e as memórias que não os largam.

Nas comunidades do Beni não existe moeda, muito menos supermercados. A comercialização de bens entre vizinhos é feita através de troca directa de produtos: uma galinha por uma saca de cinco quilos junca, uma dúzia de ovos por um par de peixes acabados de pescar. A pesca e a caça, a par da agricultura, são as principais actividades nas margens do rio Beni” Contam.

O primeiro livro que resulta da colaboração entre a agência de viagens Nomad e a National Geographic Portugal é apresentado hoje, terça-feira, pelas 19h, na Fnac do Centro Comercial Colombo, e conta com a presença dos quatro autores que lembram que ainda existem sítios assim: onde a moeda não tem valor. “Lá o mundo é mais real”, garantem.

Um bebé febril interrompe o choro por segundos, dando à mãe um precioso momento de descanso. Segundo ela, a febre não desce há vários dias, e nada mais lhe resta fazer senão acarinhá-lo. Noutra aldeia, Marcos, ficou em casa por estar com uma forte enxaqueca, que procura curar com um lenço cheio de folhas de coca apertado à volta da cabeça. No Beni é a medicina alternativa que impera. Muitas pessoas, sobretudo crianças, não sobrevivem a simples infecções ou gripes. Em mil quilómetros de rio cruzámo-nos apenas com uma enfermeira e um médico que uma vez por ano percorrem toda a extensão do rio” Pode ler-se ainda no “Sobre/Viver”.

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