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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

Poemas sob – e sobre – a quarentena

Poemas inéditos de Ana Bueno

Dois poemas inéditos compostos durante a quarentena imposta pela pandemia do coronavírus.

 

Depois da morte

Depois da morte…
teu filho não lhe trará mais sorte
nem pra humanidade haverá um Norte.

Não haverá talvez
nem se, nem porquês, nem revés.

Não haverá amor,
porém, dor
pra quem não for.
Essa, sim, haverá. 

Depois da vida
não há ainda quem diga
como se é vivida
a não vida depois da morte. 

Depois da morte
não importa humildade
nem idade
nem imunidade
tampouco ensinar humanidade
à humanidade.

Depois da morte
ninguém vê o arrependimento sentido
por aquele conceito invertido
de quem ainda a cegueira
segue na esteira,
sem enxergar
que é pra parar
pra só depois caminhar.

Não há lágrimas ali
que não se possam sentir daqui
porque a morte
e o vírus
não escolhem bem
e nem olham a quem…
chega a ti,
chega a mim.

E qual o seu legado,
pra depois da morte?
Serão os maldizeres,
de ódio ao infeliz
que não é forte
porque não pode.
Não tem feijão no prato,
nem sabonete na mão,
tampouco fino trato
e assim, segue sem opção.

Legado de quem teve berço
e pode dar esse berço aos seus?
Legado de herança
a quem não vê a desesperança
de parte da sociedade
sem imunidade.

Pra depois da morte não se dá jeito nem com luta e peito!

 

 

Sinceridade

Não tema as palavras
elas devem ser ditas
não sobreditas por razões
apenas ditas

Os dizeres têm hora
Nem toda hora é pra dizer
nem maldizer

Não guarde as palavras toda hora
Use as boas palavras
expresse-as com empatia

Simpatia não se escolhe ter
Empatia nasce em ser
mais humano, mais amável

Amável é quem ama,
ama a si
ama a ti
ama a vida

Viver só de verdade
sempre com lealdade
e sinceridade
(principalmente aos seus)

Sinceridade pra quê?
Sinceridade pra quem?
Só vale aos que te ouvem
e aos que te querem bem

Sinceridade é a verdade
Tempo passa tempo, passa gente
e num dia à humanidade vem a verdade expressamente.


por Ana Bueno, Geógrafa e jornalista, mestre em Mobilidade e Estudos Urbanos pela Universidade de São Paulo (USP), Ana integrou a equipe da revista Princípios e é a idealizadora do projeto “Crônicas das Cidades”. Um poema de sua autoria, 80 Tiros, integra a antologia 80 Balas, 80 Poemas (Selo Demônio Negro, 2020) | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

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