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Quinta-feira, Maio 26, 2022

Réplica a artigo de Carlos Fino

por José de Souza Martins

Causou-me grande desapontamento a publicação, ontem dia 20, como artigo de seu colunista Carlos Fino, o que é, na verdade suposta réplica do autor a artigo que publiquei no jornal Valor Econômico, de São Paulo, no Caderno Eu& Fim de Semana, sobre “Portugueses e brasileiros”, no dia 14 de janeiro, página 4.

Desapontamento porque o jornalista entendeu, equivocadamente, que  meu artigo questionava seu livro sobre lusofobia. Na verdade, meu artigo apenas se inspira em matéria de duas jornalistas da Folha de S. Paulo – Giuliana Miranda e Mayara Paixão – que entrevistaram alguns escritores sobre o tema. Nem a eles me refiro. Trato de aspectos sociológicos do imaginário brasileiro sobre o estrangeiro.

Fino cobrou do meu jornal o direito de resposta. Examinado o caso, o editor entendeu que a reivindicação não procedia, mas abriu-lhe a possibilidade de publicar um artigo como carta ao leitor. Aceita a proposta, o artigo seria publicado hoje, como o foi, acompanhado de minha tréplica, como era necessário.

Fino, no entanto, entendeu que tinha o direito de antecipar a publicação de seu texto, desacompanhado de minha tréplica, e o fez, ontem, com destaque na página principal do Jornal Tornado.

Aqui estou, pois, para reivindicar a publicação, com o mesmo destaque e na mesma página, desta mensagem de réplica ao artigo de seu colunista e de justos e necessários esclarecimentos a seus leitores.

A leitura antagônica que o jornalista Carlos Fico faz de meu artigo sobre “Portugueses e brasileiros” não corresponde ao que é minha análise de aspectos, em nosso imaginário popular, da relação entre os nacionais daqui e os nacionais daí.

Sou filho e neto de portugueses chegados ao Brasil há mais de um século. Testemunhei e vivi os efeitos e os intuitos corrosivos da dissimulação do anedotário. No Brasil, anedota não é para rir é para estigmatizar. Vivi em família, portugueses contando anedotas sobre portugueses para desanedotar  e neutralizar a hostilidade. Mais do que componente da modernidade, a anedota é expressão e instrumento de nossa pós-modernidade, coisa do ser que não somos, da nacionalidade que não o é, senão precariamente.

por Professor José de Souza Martins
Depto. de Sociologia – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Universidade de São Paulo

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