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Segunda-feira, Maio 23, 2022

The Washington Post: jornalistas despedem-se do edifício

A equipa de jornalistas do The Washington Post despede-se do edifício situado no nº 1150 da 15th Street de Washington DC. Trata-se de um edifício com mais de meio século, onde trabalhavam 1500 pessoas, que serão deslocadas para um novo edifício, adaptado à era digital.

O “velho” edifício, que chegou a ser comparado à arquitectura soviética pelos seus traços funcionais, será demolido, facto que deixa a herdeira da família fundadora do jornal desgostosa. “Odiei isto”, confessou ao The Guardian Katharine Graham, herdeira dos fundadores do The Washington Post e seus proprietários durante oitenta anos.

WoodwardBernstein1O edifício faz parte da História dos EUA por uma razão particular: foi o palco do trabalho dos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward, que denunciaram o escândalo Watergate durante a década de 70, o qual viria a destituir Richard Nixon do posto de presidente dos EUA e inspiraria o filme “Os Homens do Presidente”. O próprio Bernstein esteve na redacção do edifício condenado à demolição para uma despedida simbólica e fez um discurso, relatado pelo jornal britânico The Guardian. “Este jornal tornou-se em algo que representa uma mais valia nacional incrível de Washington”, sublinhou o veterano repórter, que acrescentou: “Há alguma coisa de sagrado neste local e no que aqui se faz. Mas a sala não é importante. É o que aqui foi feito e o que continua a ser feito”. Mostrando-se optimista quanto ao futuro, Bernstein rejeitou um sentimento de tristeza que pudesse existir, dizendo que “este não é um dia para tristezas mas para evoluir na direcção de uma nova grande era nesta instituição”, a qual disse representar “tudo sobre jornalismo, reportar e tudo o que isso implica”, enfatizando sentir-se honrado com isso. O parceiro de Woodward recordou, a propósito do filme de Alan Pakula protagonizado por Robert Redford e Dustin Hoffman, que o estúdio recriou a redacção do Post até ao detalhe dos caixotes do lixo.

Um dos pormenores curiosos da cerimónia de despedida deste edifício histórico tem cunho português: uma banda local escolar de 46 alunos interpretou a Marcha do Washington Post, escrita em 1889 por John Phillip de Sousa, um luso-descendente maestro e compositor, conhecido como “Rei das Marchas” e que compôs várias operetas e canções.

 

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